Ministros da Educação

José Horta Manzano

À moda de lá
Em fevereiro de 2013, doutora Annette Schavan, ministra da Educação da Alemanha e amiga chegada da chanceler Angela Merkel, foi acusada de plágio – sua tese de doutorado havia sido fortemente ‘inspirada’ de textos anteriores, com largos trechos idênticos.

Em países sérios, não se brinca com essas coisas. Quando é um cidadão comum que escorrega, a mentira já pega mal; quando a mutreta vem de um ministro de Estado, o mundo desaba. «Com o coração partido», segundo suas próprias palavras, Frau Merkel não hesitou: separou-se na hora da ministra trapaceira.

A espertona nem tentou dar desculpa. De cara no chão, foi chorar sua vergonha longe dos holofotes. Nunca mais se ouvir falar dela.

À moda daqui
Com o pranteado Weintraub fugido do país, o terreno estava aplainado para entrada triunfal do substituto. Afinal, ser melhor do que o anterior é barbada: qualquer um consegue.

Besteiras, todos cometemos. Só que, para os mortais comuns, que vivemos longe do palco, os deslizes podem passar a vida toda esquecidos. Para quem aceita cargo importante, a coisa é diferente: saem todos os jornalistas à cata de falhas do passado. Quem procura, acha. No caso do novo ministro da Justiça, não demorou muito.

Alguns dias atrás, o reitor da Universidade de Rosario (Argentina) veio a público em pessoa para uma ‘retificação’. Doctor Decotelli, nosso novo ministro, havia afirmado, no currículo inserido por ele mesmo na plataforma Lattes, ter obtido o título de doctor em Administração naquela universidade. Negativo – o reitor desautorizou o ministro mentiroso. Ai, que coisa feia!

Dois ou três dias depois, lá vem bomba de novo. Desta vez, o novo ministro é acusado de plágio na dissertação de mestrado que apresentou à FGV em 2008. Como a ministra alemã, doctor Decotelli também é suspeito de haver copiado passagens inteiras, palavra por palavra, de trabalhos anteriores.

Só que aqui não estamos na Alemanha. Brasília não é Berlim. Diferentemente de Frau Merkel, que despachou rapidinho sua ministra de volta a casa, doutor Bolsonaro continua quietinho no seu canto. Nem um pio. Quanto ao ministro, seguiu o padrão dos políticos brasileiros que enfrentam acusações. Longe de se dobrar às evidências, ousou contestar. Nega tudo.

Em lugar de agarrar o touro pelos chifres, mandou o ministério soltar nota. Saiu um daqueles contorcionismos do tipo ”caso” haja alguma ilicitude, terá sido mera distração, “que corrigiremos imediatamente”. O problema será contornado, 12 anos após a entrega da dissertação, com o acréscimo do crédito aos verdadeiros autores dos trechos plagiados. E pronto.

E ainda há quem se pergunte por que raios o Brasil não consegue sair do subdesenvolvimento…

Pílulas de sabedoria

José Horta Manzano

Um dia, um sábio pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão bravas?”

“Gritamos porque perdemos a calma”, diz um deles.

“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?”, insiste o mestre.

“Para ter certeza de que a pessoa vai nos escutar”, atalha outro discípulo.

Após alguns segundos de silenciosa reflexão, o mestre volta a dirigir-se aos discípulos: “Então, em certas ocasiões, não é possível falar em voz baixa?”

Gritar

Interligne 3eAlgumas tentativas de explicação surgem, mas nenhuma convence o pensador. Ele dá, então, sua visão sobre a questão:

“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? É que, quando dois brigam, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar. Se não o fizerem, periga até não se escutarem mutuamente. Quanto mais bravas estiverem, mais forte terão de gritar para ouvir um ao outro. Quanto maior for a distância, mais alto terá de ser o grito.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito próximos. A distância entre elas é pequena. Às vezes seus corações estão tão próximos que os dois nem precisam falar, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso ainda, não necessitam sequer sussurrar. Apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É o que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.”

Por fim, o pensador conclui:
“Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não pronunciem palavras que os distanciem, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.”

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Alguns dão o militante pacifista e dirigente indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) como criador dessa fábula. Outros hesitam em atribuir-lhe a autoria. No fundo, tanto faz. São palavras sábias, e isso é o que conta.

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Cortesia de Cláudio Mauro Machado, velho e fiel amigo.