Dia perigoso

José Horta Manzano

Futebol 3Dia 16 de julho tem lugar garantido na História do Brasil. Em 1950, marcou a derrota do time brasileiro de futebol. Fosse um jogo amistoso, o 2 x 1 em favor do Uruguai teria sido resultado banal. O drama é que era uma final de Copa do Mundo e, pra mal dos pecados, organizada no Brasil. O País perdeu a taça.

Sessenta e cinco anos depois, señor Alcides Ghiggia, autor do decisivo gol uruguaio, faleceu. Exatamente num 16 de julho. Durante 64 anos, foi chamado de “algoz” do Brasil. Um certo 7 x 1 relativizou as coisas. Señor Ghiggia pode descansar em paz.

No mesmo dia em que faleceu o jogador, singular notícia pipocou. Em meio a dezenas de outras às quais nos estamos tristemente acostumando, passou quase inaudível. A Procuradoria da República abriu procedimento investigatório criminal para investigar o Lula. Repito: procedimento investigatório criminal! Contra nosso guia, pesam suspeitas de ter agido no sentido de obter vantagens indevidas.

Que eu me lembre, nunca antes na história dessepaiz se havia ouvido falar em investigação criminal contra ex-presidente. Embora previsível, a notícia não deixa de ser «estarrecedora», palavra do agrado de nossa atual mandatária. É interessante a coincidência de datas. O 16 de julho parece ser dia delicado para o Brasil.

Vou parando por aqui – deixo que o distinto leitor reflita sobre as ironias do destino.

"Maracanazo" - 16 jul° 1950

“Maracanazo” – 16 jul° 1950

Maracanazo
Tenho ouvido ultimamente que o Brasil perdeu a Copa de 1950 no episódio que ficou conhecido como «Maracanazo». A afirmação não é verdadeira. Nunca jamais se utilizou, no Brasil, essa expressão para qualificar o desastre. É criação platina e por lá ficou.

A primeira vez que a palavra apareceu no Estadão, jornal brasileiro de referência, foi em 1977, vinte e sete anos depois do jogo. E, assim mesmo, como citação de publicação estrangeira.

Na verdade, foi o traumatizante 7 x 1 que, no ano passado, espalhou a expressão do Oiapoque ao Chuí.