Pinho-de-riga

José Horta Manzano

Dia 1° de janeiro, o euro ― a moeda comum a 12 países da União Europeia ― ganhou um novo afiliado. É uma daquelas três pequenas nações que agrupamos sob o nome genérico de «países bálticos», embora haja diferenças consideráveis entre elas. De comum, têm a incômoda proximidade com o gigante russo, vizinho de parede que lhes atormenta a existência faz séculos.

Imensa extensão de terra encravada no norte da Ásia, a Rússia sempre procurou uma saída marítima em águas «quentes», daquelas que não congelam no inverno. É o que explica que Moscou tenha ocupado, desde o fim da Segunda Guerra, algumas ilhotas do norte do Japão. Explica também por que fincaram pé em Kaliningrad (a antiga Königsberg), onde ainda hoje mantêm um enclave ― com frente para o mar evidentemente. Esclarece por que surrupiaram dos finlandeses a península de Kola. Deixa evidente por que apoiam o regime da Síria, país onde mantêm a base naval de Tartus.

Os três países bálticos sempre fizeram fronteira com o Império Russo. Além disso, sempre dispuseram de abertura para o Mar Báltico. Vai daí…

Tiveram de esperar a decomposição da União Soviética para lograrem sua independência.

Riga, capital da Letônia

Riga, capital da Letônia

Bem, falei, falei, e ainda não lhes disse qual é o nome do 13° membro da Zona do Euro. Mais de uma vez já tenho lido ― e da pluma de gente fina! ― que o novo afiliado é a Latvia. Não sei se será pressa, preguiça, desleixo, ignorância. Talvez uma mistura de tudo isso. Mas está errado.

As agências noticiosas despacham geralmente em inglês, eis por que falam em Latvia. Em português, faz séculos que esse país tem nome. Chama-se Letônia. Diz-se letão do que vem de lá, gente ou coisa.

Riga é a charmosa capital do pequeno país. Legou-nos a expressão pinho-de-riga, madeira bastante usada em construção.

Então, ficamos combinados, hein! Os países bálticos são: a Estônia, a Lituânia e a Letônia.