De bom tamanho

José Horta Manzano

Señor Leopoldo López, cidadão venezuelano que não compactua com os rumos «bolivarianos» que estão sendo impostos a seu povo, estava na cadeia havia ano e meio à espera de julgamento.

Manif 2Seu crime? Opor-se ao descalabro que tomou conta de seu país, outrora pacífico e promissor. Organizou passeatas, liderou manifestações, difundiu centenas de tuítes. Os guias da «revolução» não apreciaram nadinha. Disseram que o rapaz fazia apologia da violência, que suas palavras configuravam incitação à selvageria.

Depois de deixar que ele mofasse numa masmorra por quase dois anos, submeteram-no a um daqueles processos que fazem lembrar os expurgos stalinistas dos anos 30. A acusação pediu 14 anos de prisão e 14 anos obteve. Um jogo de cartas marcadas.

Justiça 3Catorze anos por delito de opinião, distinto leitor. Nosso vizinho (e sócio no Mercosul!) anda cada dia mais parecido com a China, o Irã, a Arábia Saudita, a Rússia, a Coreia do Norte, países onde nenhuma dissensão é tolerada.

Se a sentença que desabou sobre o infeliz cidadão não tiver sido decisão política, que terá sido?

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Ocorre-me um episódio que fez barulho, no Brasil, alguns meses atrás, mas que já anda meio esquecido. No meio de tanta turbulência, é natural que detalhes desçam pelo ralo. Vale a pena repescar este aqui.

Lula e Fidel 2Quando começou a se dar conta de que a vaca ia indo direto pro brejo, nosso guia ficou furioso. Um belo dia, olhos dardejantes, num discurso inflamado, convocou um tal de Stédile par pôr em ação seu «exército». Todos os jornais deram a notícia.

Concluindo: se os tuítes de señor López foram incitação à selvageria, a ameaça de nosso guia também foi. Que pena merece o autor? Será que catorze anos estariam de bom tamanho?

Como desvirtuar um símbolo

José Horta Manzano

Será certamente por ignorância, não vejo outra explicação. O dito «gesto de Lenin», braço levantado com punho cerrado, tem-se demonstrado útil em muitíssimas ocasiões. Como aquela famosa palha de aço, tem 1001 utilidades.

A recrudescência de gente fazendo esse gesto é sinal de nossos tempos, pelo menos no Brasil e nos demais países sul-americanos.

Por um lado, mostra a ignorância histórica dos que ensaiam toscamente imitar o pai da Revolução Russa.

Por outro, revelam feio significado que se esconde atrás do símbolo. Explico.

Mão aberta, em qualquer cultura, indica generosidade, dádiva, acolhida, saudação. Mão fechada, em qualquer agrupamento humano, é sinal de avareza, de mesquinhez, de egoísmo, de amor a seus próprios interesses em detrimento das necessidades do próximo.

É a cara de nossos líderes atuais. E dos que pretendem tomar seu lugar.

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Vladimir Ilitch Lenin, o professor

Vladimir Ilitch Lenin, o original

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Dolores Ibarruri, la Pasionaria "Más vale morir de pié que vivir de rodillas"

Dolores Ibarruri, la Pasionaria
“Más vale morir de pié que vivir de rodillas”

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Lula de punho em riste ― 2013

Um imitador flagrado em 2013

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Dirceu: braço direito Crédito: Agência Estado

Dois imitadores tupiniquins
Crédito: Agência Estado

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Nicolás Maduro, o opressor

Nicolás Maduro, um imitador vizinho nosso

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Leopoldo López, o oprimido

Leopoldo López, o imitador que pretende derrubar o personagem retratado logo acima

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Venezuela: o resultado

O resultado da soma de ignorância com má-fé

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