José Horta Manzano
Respeitada por seus próprios pares, a sorridente Rebeca Andrade é uma grande ginasta. Sua atuação nos Jogos Olímpicos de Paris foi magistral, coisa de deixar saudade. Mas daí a tratá-la de “ídola”, vai uma distância que não convém percorrer.
“Ídola” é gêmea idêntica de membra e de mascoto. Podem sair os três por aí, de mãos dadas, cantando ‘Mamãe eu quero’. Vão abafar.
Brincadeiras à parte, vamos lembrar que há substantivos bonzinhos, que tanto aceitam ser do gênero masculino quanto do feminino. Personagem é um deles. Pode-se dizer tanto o personagem quanto a personagem. É acertar ou acertar. Omelete é outro que se encaixa nos dois gêneros.
Mas há outros nomes que não oferecem essa flexibilidade. Têm um gênero só. É o caso das palavras membro (sempre masculina), mascote (sempre feminina) e, naturalmente, ídolo, que fica arrepiado se alguém ousar mandá-lo para o feminino. Em português, ídolo é masculino e ponto final. Não existe “ídola”.
A frase da chamada do jornal está tão mal formulada que não vale a pena tentar corrigir. Pra remediar, será melhor descartar a palavra ídola e substituí-la por famosa. Faz o mesmo efeito e não ofende o ouvido (nem a sensibilidade) do leitor.



