Grounding

José Horta Manzano

A língua inglesa é muito flexível, bem diferente de nosso engessado português, idioma cheio de proibições e de ciladas que nos obrigam a consultar o dicionário a toda hora. Em inglês, se um cidadão criar seu neologismozinho, não lhe cairá sobre a cabeça o raio da reprovação. O importante é que a palavra inventada faça sentido e seja compreendida por todos.

É o caso do termo grounding(*), que entrou na moda assim que a primeira grande companhia aérea foi à falência deixando seus aparelhos grudados no chão, sem voar. Nestes tempos de pandemia, grandes empresas do ramo estão sendo obrigadas a tirar de circulação a maior parte da frota, seja porque ninguém mais toma avião, seja porque fronteiras se fecharam.

Quanto a mim, a primeira vez que ouvi a palavra grounding foi quando a Swissair, a companhia nacional suíça, faliu. Aconteceu em 2 outubro 2001, da noite para o dia, sem aviso prévio. Milhares de passageiros ficaram desamparados: uns perderam o bilhete de ida; outros tinham chegado ao destino mas não podiam voltar; outros ainda ficaram em situação complicada, engaiolados em aeroporto estrangeiro, no meio de uma escala, às vezes sem dinheiro, sem poder prosseguir e sem saber que fazer. Foi o dia mais sombrio para a economia suíça – antes da epidemia de Covid-19, naturalmente.

Estão aqui algumas imagens de grounding devido à pandemia.

Cathay Pacific, Hong Kong

British Airways, Reino Unido

Southwest, EUA

Emirates, Emirados Árabes

Lufthansa, Alemanha

Swissair, Suíça
Grounding definitivo, 2001

(*) Grounding é palavra formada a partir de ground (=chão, solo). Antes de significar bloqueio de aeronaves, já era usada em eletricidade e também para indicar que alguém tem bons conhecimentos em alguma matéria. Exemplo:

He has very good grounding in physics
Ele tem muito boa base em Física.