Ícaro moderno

José Horta Manzano

Você sabia?

Franky Zapata é piloto profissional de jet ski. Apesar do nome de revolucionário mexicano, o moço é francês de Marselha. Tem uma coleção de medalhas conquistadas em campeonatos nacionais e internacionais.

Acontece que Monsieur Zapata é buliçoso e criativo. Com um grupo de amigos, trabalhou duro durante anos a fim de construir o que chamou de Flyboard. O nome da geringonça corresponde ao que ela faz: é uma prancha que voa. Desde 2012, ele comercializa exemplares de seu invento.

Trata-se de uma prancha de diminutas dimensões, sobre a qual cabe apenas um homem de pé. Debaixo estão instalados os turbopropulsores. O reservatório de combustível fica… adivinhem onde? Numa mochila, nas costas do piloto. Precisa ser meio maluquinho, não?

Bom de marketing, o rapaz achou que precisava dar ao mundo um exemplo marcante do funcionamento da engenhoca. A travessia do Canal da Mancha – 35km entre França e Inglaterra – é o sonho de todos os que inventam algum objeto voador. Desde que o pioneiro Blériot atravessou o canal com seu precário avião, em 1909, muitos seguiram sua iniciativa. Nosso campeão de jet ski sentiu que tinha chegado sua vez.

Franky Zapata de ‘Flyboard’

Depois de uma tentativa infrutifera em julho, Franky Zapata conseguiu atravessar o canal neste domingo 4 de agosto. Decolou de Sangatte, uma praia na costa francesa, e pousou em St. Margaret’s Bay (Inglaterra), 20 minutos mais tarde. Voou a uma altura de 15-20 metros, a uma impressionante velocidade média de 160-170km/h. Foi acompanhado por helicópteros. No meio do percurso, um barco estava a postos, esperando por ele. Chegando lá, o aventureiro pousou por alguns segundos, só pra apanhar nova mochila. Em outras palavras: reabasteceu.

Um grupo de cinegrafistas disse adeus ao piloto quando levantou voo na França e outro grupo saudou sua chegada à Inglaterra. O engenhoso inventor já foi sondado pelo exército francês, interessado na utilidade que o Flyboard possa ter para o Ministério da Defesa.

Ainda bem que o voo experimental ocorreu antes do Brexit. Se tivesse sido depois de 31 de outubro, Monsieur Zapata poderia até ser preso assim que pisasse solo inglês. Seria processado por ter entrado no país através de passagem fronteiriça não autorizada. E era bom que tivesse o passaporte no bolso, se não ia ser ainda pior.

Para ter uma ideia de como é ver um homem voando, assista à chegada do aventureiro à praia inglesa neste videozinho de um minuto.