Janot e o pagode

José Horta Manzano

Neste país, ultimamente, a gente navega de espanto em espanto. Quando parece que estamos no auge, que nada mais pode espantar, eis que aparece assombro maior.

O de hoje nos foi brindado por doutor Janot Monteiro de Barros. O moço, que já ocupou o posto preeminente de Procurador-Geral da República, confessou que sua aparente bonomia esconde impulsos assassinos. Revelou que «quase matou» Gilmar Mendes, ministro do STF. Numa boa. Curtiu o ódio, premeditou o crime, carregou o revólver, encaminhou-se para o local da execução mas, na última hora, murchou.

Essa história acrescenta covardia à vilania. Além de ser o vilão da quase tragédia, doutor Janot se acovardou na hora agá. E ainda tem a caradura de vir contar? Francamente, o homem tem um grave problema de equilíbrio. É destrambelhado. Até que combina com o estilo do governo atual – alô, gerente de RH do Planalto!

De loucos, o mundo está cheio. O espantoso não é que esse cidadão também faça parte da categoria, mas que tenha um dia chefiado a PGR. E, mais que tudo, fico muito preocupado com o fato de ele ter podido penetrar armado no prédio do STF.

Nunca estive lá, mas imaginava que, pra entrar, precisasse enfrentar um dispositivo desses que a gente vê no aeroporto, com pórtico detector de metais e esteira para objetos, pastas e pacotes. Ou será que doutor Janot entrou pela janela? Até que ficou bonito: Janot pela janela. Dá letra de pagode, mermão.