A prova pela imagem

José Horta Manzano

No Brasil, o ofício do policial está ficando cada dia mais difícil. Antigamente, não era assim. Polícia chegava, batia, arrebentava e tudo ficava por isso mesmo. O espírito corporativo funcionava, as versões dos participantes concordavam e não havia como contestar. Hoje em dia, com a onipresença de câmeras de vigilância e de filmadoras incorporadas em telefones de bolso, vai ficando mais complicado trapacear.

Se, antes, era comum policiais alegarem ter agido «em legítima defesa», hoje, imagens de vídeo podem contradizer o relato. Todo cuidado é pouco. Para complicar, imagens editadas de vídeo amador feito com telefone celular podem comprometer agentes da lei, dando a impressão de que tenham exagerado na violência sem real necessidade.

policia-5O fenômeno não é exclusivamente nacional ‒ é comum em outras partes do mundo. Para remediar, nova experiência está sendo tentada na França. A partir de primeiro de janeiro próximo, policiais municipais e agentes de segurança dos trens estarão equipados com uma minicâmera incorporada ao uniforme, fixada na altura do peito. Quando de uma ocorrência particularmente movimentada, bastará acionar o dispositivo que filmará a cena.

Dizem que uma imagem vale mil palavras. Se a experiência for levada adiante ‒ e se der resultados ‒, muita acusação mútua poderá ser evitada. Contestações, que hoje desembocam em processo judicial, não terão mais razão de ser. Em princípio, parece ser boa medida. Talvez fosse o caso de nossa polícia experimentar o método.