La Torre di Pizza

Bolsonaro rebatiza Torre Pisa como “Torre de Pizza”

José Horta Manzano

A função de uma agência de notícias é… dar notícia. Um jornal, sozinho, não tem condições de manter centenas de correspondentes espalhados pelo país e pelo mundo. Uma agência de notícias tem – é sua razão de existir. Veículos da mídia são assinantes das principais agências globais, que fornecem o material informativo.

No seleto clube das maiores do mundo, estão as americanas AP (Associated Press) e UPI, a britânica Reuters, a francesa France-Presse. Um membro menos conhecido desse clube é a italiana Ansa (Agência Nacional de Imprensa Associada), fundada em 1946. Também é uma agência importante.

A Ansa acompanhou cuidadosamente a vilegiatura de Jair Bolsonaro em terras italianas e diariamente relatou tudo o que viu, tim-tim por tim-tim. Não deixou escapar nenhum momento, dos mais insignificantes aos mais grotescos. Um dos mais hilariantes ocorreu justamente quando o capitão já estava de volta a seu quartel-general, longe do sufoco de ser o chefe de Estado menos importante entre duas dezenas.

Como a resumir o passeio do presidente brasileiro, o artigo da Ansa que reproduzi na imagem, relata algumas das gafes cometidas pelo capitão. O ponto alto foi atingido quando ele declarou, com aquele jeito pretensamente blasé de quem é profundo conhecedor do planeta inteiro, que tinha visitado a Torre de Pizza.

“Bolsonaro rebatiza Torre Pisa como ‘Torre de Pizza’ – relata a Ansa. Passado o espanto, muita gente deve ter se esborrachado. Preciso, o artigo ainda acrescenta a troca de nome que o capitão atribuiu John Kerry, enviado especial dos EUA, chamando-o de Jim Carrey.

E fiquei sabendo de mais uma peripécia de nosso confuso corruptor-mor, que não tinha visto nos jornais nacionais. Aconteceu quando Bolsonaro estava em Pistoia, em frente ao monumento que homenageia os pracinhas caídos em combate contra a extrema-direita (repare na ironia!). A seu lado, estava Matteo Salvini, líder da extrema-direita italiana (re-repare na ironia!). Foi nessa hora e nesse lugar que nosso capitão trocou o nome do companheiro de ideologia: chamou Salvini de Salvati.

Realmente, fica patente que o homem está tão centrado em si mesmo que as coisas e gentes que o rodeiam simplesmente deixam de existir. Essas repetidas trocas de nome de lugar e de nome de gente reafirmam, a todo momento, o distúrbio de personalidade que o acomete.

Francamente, tem seres que melhor fariam se não abrissem a boca. O capitão é um deles.

Observação onomástica
Signor Salvini, o extrema-direita italiano cujo nome foi estropiado, não deve ter apreciado o escorregão do colega Bolsonaro. Salvini é patronímico derivado de Salvus, prenome popular na Idade Média. Já Salvati tem outra origem. Era sobrenome atribuído a recém-nascidos abandonados.

Olhar italiano

José Horta Manzano

A ANSA ― Agenzia Nazionale Stampa Associata ― é a mais importante agência italiana de notícias. Seu site apresentou, alguns dias atrás, um retrato cru dos preparativos para a «Copa das copas». Cru, mas verdadeiro, não há que contestar.

Crédito: Guilherme Bandeira www.olhaquemaneiro.com.br

Crédito: Guilherme Bandeira
olhaquemaneiro.com.br

Começa contando que, a um mês do apito inicial do campeonato, o Brasil já ganhou a copa dos atrasos e do desperdício. Refere-se a obras previstas e nunca realizadas como o trem-bala Rio-SP ou o futurístico monotrilho do centro de Brasília ao estádio. Há ainda obras inacabadas, como três dos doze estádios. A isso tudo há que adicionar os custos faraônicos, que superam amplamente o que se gastou com a copas da Alemanha e da África do Sul reunidas.

O artigo pondera que, no pesado balanço, ainda tem de ser debitada a perda de nove vidas nos trabalhos de construção. Diz também que esse conjunto de trapalhadas suscitou um vasto descontentamento em muitas camadas da sociedade, gente que teria preferido ver esses fundos utilizados para melhorar serviços de saúde, instrução e transporte.

O autor explica que, quando festejou a atribuição da Copa ao Brasil, sete anos atrás, o Lula pretendia mostrar ao mundo o progresso econômico e social do País. Não podia prever a série interminável de incidentes e de acontecimentos negativos que acabaram projetando ao exterior a imagem do Brasil como gigante de pés de barro, incapaz de programar e de organizar um evento de alcance mundial.

Copa 14 logo 2Referindo-se à Copa das Confederações de 2013, o texto assinala que a competição será pouco lembrada pelo futebol e muito mais por causa das «oceânicas» manifestações de protesto contra o dinheiro público gasto por Dilma Rousseff para a Copa, enquanto os serviços públicos brasileiros não estão à altura de um País que reclama o direito de acesso ao restrito clube das grandes potências.

O articulista fecha seu escrito recordando que a torcida (em português no texto) espera que a Selecao jogue e vença a final. Mas Dilma, em constante queda nas pesquisas, terá um motivo a mais para torcer.

Quem viver verá.