Passou debaixo do radar um artigo que saiu semana passada na Folha de SP. O escrito trata dos comentários feitos por Bill Gates em suas páginas nas redes sociais.
Como se sabe, Mr. Gates é o fundador da Microsoft. Hoje, à beira dos 70 anos, está afastado da firma que criou. Além de bilionário – ou talvez por causa disso –, ele aparece entre os maiores filantropos de todo o mundo.
Em 2000, cedeu 5 bilhões de dólares de sua fortuna pessoal para criar a Fundação Bill & Melinda Gates. Ao longo dos anos, a dotação inicial cresceu até atingir cerca de 35 bilhões de dólares, capital que hoje sustenta a Fundação.
A instituição dedica-se a financiar grandes causas, sobretudo ligadas à saúde mundial. Aids, tuberculose, malária e poliomielite estão entre suas áreas de atuação. Bill Gates soube direcionar sua imensa fortuna para amparar causas que países pobres, sem ajuda, não conseguem cuidar.
Voltemos aos comentários do filantropo. Foram elogios rasgados endereçados ao SUS, o Sistema Único de Saúde brasileiro. “Nenhum país é perfeito, mas o Brasil é a prova do que acontece quando um país investe no cuidado com os mais vulneráveis: o retorno tende a ser grandioso” – foi uma de suas frases, postadas no Instagram. Mr. Gates ainda anexou um gráfico sobre a queda nos índices de mortalidade infantil no Brasil.
E seguiu, admirativo: “Em cerca de 30 anos, o Brasil conseguiu reduzir a mortalidade materna em 60% e diminuiu a mortalidade infantil em 75%, o que supera amplamente as tendências mundiais. Ainda por cima, aumentou a expectativa de vida de seu povo em cerca de dez anos.”
Bill Gates foi mais longe em seus posts. Deu uma rápida visão geral sobre a criação do SUS no fim dos anos 1980. A par disso, saudou a grande ideia de estarem atualmente em atividade 286 mil agentes comunitários de saúde, disponíveis para quase 70% dos brasileiros.
O filantropo, habituado a operar em países em que o Estado é inexistente ou quase, revelou sua admiração pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que ajudam a extrair famílias da miséria negra e que são responsáveis pela diminuição da mortalidade infantil.
Seria o caso de o governo propor a Bill Gates participar de uma campanha institucional do SUS, como tantos programas de autolouvação que costumam ser montados. Talvez ele aceite, não custa tentar.
O artigo original está aqui (para assinantes da Folha de SP).

Boa tarde.
“Nenhum país é perfeito, mas o Brasil é a prova do que acontece quando um país investe no cuidado com os mais vulneráveis: o retorno tende a ser grandioso”.
Curiosa essa visão de Bill Gates, do alto de sua excepcional qualidade de vida, a qual ele já usufrui há décadas. Seria excelente ele testemunhar, “in loco”, os atendimentos do SUS. Não tirando os valores do sistema, devemos analisar com frieza onde o SUS realmente é bom. Ele opera quase que exclusivamente no âmbito das emergências/urgências. Ele é arquitetado para que o miserável brasileiro não morra à mingua na rua. Em relação a exames e à prevenção de doenças, é sabido que o SUS é um fracasso. Há de se ter noção de que existem hospitais e hospitais. Evidentemente não conheço nem 2% dos hospitais que fazem parte deste sistema público de saúde, mas aqueles que já tive o desprazer de visitar e também pelo que a gente vê nos programas de TV, o nível é de uma carência revoltante. Existe mérito no SUS, é inegável, mas ele não é essa maravilha que alguns estrangeiros (os quais sequer pisaram dentro de um hospital estatal brasileiro) pensam. Os Estados Unidos ou qualquer país desenvolvido sem o SUS
Em tempo, a queda da taxa de mortalidade infantil no Brasil não tem ligação alguma com o SUS, mas a outras políticas sociais.
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Com certeza, Bill Gates compara um Brasil que tem o SUS com dezenas de países, principalmente africanos, em que a presença do Estado é nula.
Falo de países onde o cidadão, não podendo esperar nenhum amparo vindo de cima, só pode contar com a solidariedade dos que têm tanto quanto ele. Ou menos.
Quando se leva em consideração o panorama da saúde pública em países muito pobres, a situação do Brasil é invejável.
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