No Sergipe?

José Horta Manzano

O nome de alguns estados brasileiros deve ser precedido por artigo, mas Sergipe, certamente, não é membro desse clube.

Por um lado, temos os que pedem artigo:
o Amazonas, o Rio Grande do Sul, o Ceará, o Acre. E diversos outros.

Por outro, há o clube dos que rejeitam artigo:
São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, etc. E, naturalmente, Sergipe.

Que ninguém jamais escreva o Sergipe” como na chamada do jornal. Nem por decreto do papa. Pega mal.

2 pensamentos sobre “No Sergipe?

  1. Certa vez, publiquei na extinta revista “Língua” uma matéria chamada “Artigo de Estado”, falando sobre a polêmica que então havia sobre se Mato Grosso admite ou não artigo definido antes do nome do Estado. É que, segundo uma jornalista mato-grossense que me escreveu, os moradores locais dizem “em Mato Grosso”, “de Mato Grosso” enquanto nós não mato-grossenses dizemos “o Mato Grosso”. Parece que a polêmica ainda persiste.

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  2. Minha experiência sugere que paulistas, paranaenses e mineiros – os vizinhos de parede – continuam botando artigo antes do nome do estado: o Mato Grosso.

    “Comprei um sítio no Mato Grosso”, dirão. Nem precisa especificar se é do norte ou do sul. O Mato Grosso é o Mato Grosso. Fica até estranho dizer “em Mato Grosso”.

    Já brasileiros de outras plagas não se permitem tanta familiaridade. Com mais cerimônia, preferem relatar a excursão que fizeram “em Mato Grosso do Sul”. Nada de artigo.

    Creio entender a origem dessa diferença. Quem consultar um mapa do estado de São Paulo do início do século XX verá que não havia estradas (nem cidades, evidentemente) no Oeste do estado. Essa região era indicada por anotações do tipo: “Terra de índios bravios” ou “Terra dos Bororós” ou outra referência semelhante.

    À medida que as terras virgens paulistas foram sendo desbravadas, nas décadas de 20, 30 e 40, cidades foram brotando no estado de São Paulo, enquanto que, além das barrancas do Rio Paraná, não havia praticamente nada. As terras continuavam virgens.

    A partir daí, foi se cristalizando o costume de chamar as terras além-Paraná de “mato grosso”. Quem dizia isso se referia antes ao panorama de terras virgens do que ao nome de um hipotético estado. Daí o artigo.

    “Comprei uma gleba no mato grosso” (ou “pros lados do mato grosso”), diria o feliz comprador, pensando muito mais nas matas do que no nome do estado.

    Em suma, o nome do estado seguiu-se ao topônimo, não o contrário.

    …………………………………..

    Tem razão, a revista Lingua era excelente. Cheguei a ler um que outro artigo – na internet, se não me engano. O que é bom dura pouco.

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