A crase e a crise

José Horta Manzano

Doutor Schelb, indicado pelo presidente eleito para chefiar o Ministério da Educação, já estava encomendando o terno para a posse. A bancada evangélica acolhia a nomeação com bons olhos. Faltava um nadinha pra o martelo ser batido. A equipe de doutor Bolsonaro achou que era hora de permitir um vazamento maroto para a imprensa. O nome do futuro ministro passou a circular pela mídia.

Chamada Estadão, 22 nov° 2018

Ah, pra quê… Naquele dia, o estagiário de um grande jornal estava mais sonolento que de costume. Ao costurar a manchete, tropeçou feio: tascou uma crase onde não devia. Onde é que já se viu escrever um à descomplexado bem diante de palavra masculina? E, pior ainda, diante de palavra no plural?

A bancada evangélica não gostou do que viu. Ministro da Educação anunciado com erro gramatical? Nããão! Jogaram o bebê com a água do banho. Assustados, demitiram o figurão antes mesmo de ele ter sido oficializado. Doutor Bolsonaro foi obrigado a escolher outro auxiliar. Na manhã desta sexta-feira, é fato consumado ‒ novo nome já foi dado a público.

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