O Vaticano e a modernidade

José Horta Manzano

Corria o ano de 1505 quando o papa Júlio II solicitou à Assembleia Suíça que fornecesse um corpo de guarda de 200 integrantes para sua proteção. É preciso saber que, meio milênio atrás, a Suíça era muito pobre. A terra ingrata e pouco propícia à agricultura obrigava os homens a procurar trabalho no estrangeiro.

Com o tempo, os suíços criaram fama como bons mercenários, que é como são chamados os soldados de aluguel. Em tempo de guerra, reis, príncipes, marqueses e outros dignitários europeus passaram a contratar soldados suíços. Uma vez acertado o preço, os mercenários se desempenhavam de modo admirável.

Os séculos passaram, os costumes mudaram, os reis rarearam, mas a guarda papal não mudou. Até hoje, a Cohors Helvetica Pontificia (Guarda Suíça Pontifícia) continua, garbosa, a proteger o Sumo Pontífice. Último destacamento de soldados suíços no estrangeiro, a guarda pontifícia é o segundo menor exército do mundo. É composta de 135 militares. Menor que ela, só a Companhia de Carabineiros do Príncipe de Mônaco, que tem 120.

Para integrar o corpo de guarda do Vaticano, a seleção é rigorosa e o candidato tem de preencher numerosos critérios. Entre eles, tem de ser de nacionalidade suíça, solteiro, com idade inferior a 30 anos, católico praticante. Terá também de apresentar um atestado assinado pelo vigário de sua paróquia confirmando que ele frequenta assiduamente a igreja e que tem reputação absolutamente imaculada. As entrevistas de contratação podem durar dias inteiros.

Capacete antigo – ferro forjado à mão

O colorido uniforme dos guardas suíços do Vaticano é exatamente o mesmo dos mercenários que serviram ao papa Júlio II, quinhentos anos atrás. No entanto, a modernidade está se insinuando timidamente. O tradicional capacete de ferro forjado, pesado e caro, está sendo substituído por um novo, produzido por impressora 3D.

De formato idêntico ao antigo, é feito de plástico rígido, bem mais leve e sobretudo mais barato. A produção de um capacete de ferro consumia 100 horas de trabalho manual, enquanto o de plástico fica pronto em 14 horas. Os guardas estão felizes: reclamam que, sob o sol escaldante de Roma, o capacete antigo lhes causava queimaduras.

Novo capacete – produzido por impressora 3D

Mas que todos se tranquilizem: de longe, praticamente não se notará diferença entre o antigo e o novo capacete. A forma é a mesma. Uma primeira remessa de 40 unidades já foi entregue.

Ninguém segura o progresso.

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