Onde vão parar nossos impostos

José Horta Manzano

Todos os cidadãos têm direito de saber como é utilizado o imposto. Afinal, somos nós que ‒ através de impostos, taxas, tributos e emolumentos ‒ financiamos o país. É legítimo que nos sejam dadas contas do destino de nossa contribuição para o bem comum.

Restaurant Grand Véfour, Paris

Restaurant Grand Véfour, Paris

A Procuradoria-Geral da República acaba de contribuir para o esclarecimento do contribuinte ao tornar pública a denúncia contra senhor Cunha, presidente da Câmara. O homem é acusado de corrupção, evasão de divisas, ocultação de patrimônio e outros delitos do gênero.

Durante anos, o político manteve, principalmente na Suíça, dezenas de contas bancárias abastecidas com somas polpudas por caudaloso propinoduto. Essa cachoeira de propinas é o caminho paralelo pelo qual escoa parte dos impostos que o distinto leitor costuma pagar. É dinheiro subtraído ao erário e desviado para o bolso de ladrões.

Restaurant Guy Savoy, Paris

Restaurant Guy Savoy, Paris

Em rápida passagem de cinco dias por Paris, ano passado, Senhor Cunha torrou milhares de dólares. Numa refeição no restaurante Grand Véfour, gastou 1200 dólares. Em outro ágape gastronômico no afamado restaurante Guy Savoy, foram mais 1300 dólares. Para dormir ‒ que ninguém é de ferro ‒ a despesa chegou a 15800 dólares no ultraluxuoso Hotel Plaza Athénée, perto de sessenta mil reais.

Nas festas de fim de ano 2012-2013 passadas na Florida, esse senhor, cujo salário não chegava a 18 mil reais, desembolsou quantias ainda mais elevadas. Entre hotel, restaurantes e lojas de grife, foram 170 mil reais no cartão de crédito.

Hôtel Plaza Athénée, Paris

Hôtel Plaza Athénée, Paris

Estamos falando do terceiro personagem da República, o segundo na linha de sucessão da presidência. Caso dona Dilma e o vice saiam de cena, o leme do barco será entregue a ele. A perspectiva é afligente, embora não destoe no cenário ao qual estamos acostumados.

Reproduzo abaixo um trecho de artigo de Guilherme Fiuza, publicado no jornal O Globo deste 12 março 2016.

«O Brasil disse ao filho do Brasil: “Meu filho, um dia tudo isso será seu”. Até os pedalinhos de Atibaia já sabem que o herdeiro tomou posse de tudo.

Solidário, pegou a maior empresa de papai e despedaçou-a para enriquecer a família e os amigos. O filho do Brasil não pensa só em si. Seus filhos — os netos do Brasil — enriqueceram também. E seu compadre, seu advogado, sua amante, seu churrasqueiro, seus amigos de fé, seus correligionários, enfim, todo mundo se deu bem, porque o patrimônio de papai era colossal. Mas, e os brasileiros? Ora, esses são filhos da outra. Todo mundo sabe que o Brasil só teve um filho.»

Valei-nos, São Benedito!

3 pensamentos sobre “Onde vão parar nossos impostos

  1. Esse senhor é o maior expert em escapar das ações que estão sendo tomadas para pôr fim aos seus abusos as quais tem como grandes colaboradores sua mulher e filha. Até o Poder Executivo Federal fez troca de favores com ele para evitar o processo de empeachment da Presidente Dilma. Vejamos até quando irá sobreviver no poder!

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  2. 1.300 dólares por uma refeição (bem, deve ter sido paga para os auxiliares/acompanhantes dele também) é algo inominável! 15.800 dólares pra ficar num hotel e a conta ser paga pelo CONTRIBUINTE? Isso por si só já deveria ser motivo de defenestrá-lo!!!

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