José Horta Manzano
Aspas devem ser usadas em três casos:
2) para indicar ironia
3) eventualmente, para indicar neologismo ou termo estrangeiro
Fora isso, não convém. Podem dar recado desacertado.
Essa chamada apareceu no Estadão online de 14 set° 2015. Tanto “engano” quanto “terroristas” aparecem cercados de dois pares de urubus. Não há razão nem motivo pra isso. Não denotam citação nem estrangeirismo, portanto, só podem estar aí para indicar ironia.
Assim sendo, o título informa que forças egípcias mataram turistas de propósito mas alegaram que tinha sido por engano. Acusação pra lá de pesada.
Mais abaixo, as aspas que envolvem «terroristas» deixam dúvida. O leitor fica sem saber qual é o recado. Fica a impressão de que a região é seguríssima e que encontrar terroristas ali é tão improvável quanto encontrar marcianos.
Levando em conta que nove entre dez leitores não vão além do título ou da chamada, jornais e portais deveriam tomar especial cuidado com manchetes.

Olá!
Eu confesso que uso as aspas com mais frequência do que nos três casos. Estarei errado? Por exemplo, eu uso nos casos em que estou dando destaque a uma palavra, exatamente como você fez com “engano” e “terroristas” no parágrafo logo abaixo da chamada do Estadão.
Abraço,
João
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Caro João,
Quanto aos terroristas, conquanto relutante, posso até concordar com você, ainda que continue achando esquisito. Aquele pedaço de deserto é notório reduto de terroristas. Sem aspas. Se os turistas foram tomados por malta de bandoleiros fora da lei, por que as aspas? Foram considerados terroristas mesmo, no duro.
Já com referência ao engano, tenho dificuldade em usar os urubus. Engano entre aspas transmite a ideia de que os tiros foram dados de propósito – o que, imagina-se e espera-se, não seja verdadeiro. Equivale a dizer que nossa presidente burlou normas fiscais «por engano». Duro de engolir, né não?
Grande abraço.
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Prezado amigo, eu não me referia às aspas usadas no jornal; referia-me, sim, às que VOCÊ usou no parágrafo que colocou APÓS o recorte do jornal…
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I got it! Tem razão, João.
É mais um caso em que aspas são bem-vindas, além dos três que mencionei. Serão usadas para, digamos assim, «isolar» ou «ressaltar» palavras.
Pessoalmente, prefiro negrito ou itálico ou – melhor ainda – os dois. Mas é verdade que aspas dão o recado. É o que importa.
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