Pamonha de Piracicaba

Texto de Alcindo Garcia (*)Interligne 3e

A presidente Dilma ouviu mal a voz das ruas. Ninguém pediu plebiscito. Isso foi proposto pelo PT para desviar o foco. A voz das ruas pediu melhoria na educação, mais verbas para a saúde, segurança e transportes e o fim da corrupção. A senhora ouviu mal a voz das ruas. Pensou que a voz das ruas fosse a caminhonete que passa vez ou outra diante do meu prédio anunciando «Olha a pamonha, pamonha de Piracicaba». Nunca tive a curiosidade de experimentar a pamonha de Piracicaba. Se a voz das ruas fosse pelo menos para anunciar as deliciosas bananinhas de Palmital, até que valeria a pena eu descer para adquirir alguns pacotes.

Com essa crise toda, herança maldita deixada pelo Lula, que está provocando indignação nacional, confirma-se que inhambu na muda não pia. Perceberam que o Lula está calado? Até agora não disse nada, prefere enviar seus conselheiros, palpiteiros que querem que o governo Dilma se lixe. A herança maldita que ele deixou foi o mensalão, a Petrobrás quebrada, a economia lá embaixo e a volta da inflação. O Palocci era melhor, pelo menos seguia a política econômica deixada pelo Fernando Henrique e com isso evitou a volta da inflação.

Na reunião ministerial, Dilma se reuniu com seus 40, perdão, com seus 39 ministros para discutir essa crise sem precedentes na história do país. Quem compareceu lá de bicão, ou a mando do Lula, foi o Franklin Martins, seu ex-ministro de Comunicações, o autor do projeto para calar a mídia. Parece que a estratégia do Luiz Inácio, é queimar o filme da Dilma, retirá-la da reeleição e se colocar como estrategista para ser ele o candidato, atendendo ao «Volta, Lula!», campanha já orquestrada pelo PT.

Dilma parece que está começando a acordar para essa realidade, pois na semana passada se queixou de que «todos a abandonaram». Todos, com endereço certo: o Luiz Inácio ― que, tal qual inhambu na muda, preferiu se calar e dar mais um giro pelo exterior.

Presidente Dilma (presidenta, como a senhora prefere), ainda há tempo. Procure um bom otorrino. Ele vai cuidar da sua audição. A voz das ruas, presidenta, não é essa da caminhonete que passa anunciando: «Pamonha, pamonha, pamonha de Piracicaba».

(*) Alcindo Garcia é jornalista, colaborador do Diário de Assis e do Jornal da Comarca, de Palmital.

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