De que foi que morreu junho?

Fernão Lara Mesquita (*)

E segue a conversa: quem são os Black Blocs? É um movimento espontâneo? É orquestrado? Reminiscência daquela “estética da destruição dos símbolos capitalistas” da Europa dos anos 70, precursores do terrorismo à Baader Meinhof e Brigate Rosse? São só baderneiros? E o que é que isso tem a ver com as manifestações de junho?

Brigate Rosse Itália, anos 70

Brigate Rosse
Itália, anos 70

Que tem uma pitadinha de cada uma dessas coisas, é claro que tem (além dos ladrões). Tem até “filósofos” assassinos, como Achille Lollo (conheça o personagem aqui) importados diretamente dessa safra de europeus século 20 e postos, agora, de gurus do PSOL, aquele partido que quer porque quer jantar o Rio de Janeiro de entrada.

Mas, refinamentos retrô à parte, eu, na dúvida, faço sempre aquela pergunta que o Sherlock Holmes fazia: “A quem interessa o crime?”

Quando a resposta me parece duvidosa é a ele que eu recorro de novo: “Quando descartadas todas as outras respostas, por mais estranha que pareça a que restar, é ela a verdadeira”.

E a que restou é a seguinte: junho foi o resultado da soma do primeiro julgamento do STF com a televisão. Com gente daquele calibre condenada à cadeia, o “gigante” sonhou que tinha acordado de frente para o impossível. “― E não é que este país pode mudar!”

Cheios de esperança, os amadores foram pra rua, expulsaram os chapas-brancas e passaram a exigir que mudasse já, e muito…

Pânico no Planalto! Então, os profissionais ― impedidos de vestir vermelho ― retomaram as ruas mascarados, porretes nas mãos, pro povo aprender bem aprendido a quem é que as ruas pertencem. Aí veio o Celso de Merda, enterrou o sonho, e o país mergulhou de volta naquela de “nossos heróis morreram de overdose”…

Agora os Black Blocs, a esta altura já seguros o bastante para se abraçar aos profissionais, estão jogando a pá de cal.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista e editor do site www.vespeiro.com