Conselho de Direitos Humanos

José Horta Manzano

Nesta quinta-feira, houve renovação parcial dos integrantes do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Essa instância é composta de participantes de 47 países, todos devidamente eleitos. O Brasil, candidato à reeleição pela enésima vez, conseguiu o intento. Por dois anos, seu representante terá assento no Conselho.

De resto, Cuba perdeu a cadeira mas foi substituída pela Venezuela. A China e a Arábia Saudita foram mandadas embora pra casa, mas o Afeganistão continua firme e forte no Conselho, assim como o Paquistão, o Catar, o Bahrain, o Sudão – todos eles regidos por exemplar democracia, ciosa dos direitos humanos, como se sabe.

Doutor Bolsonaro, quando candidato, havia bravateado que, se eleito, retiraria o Brasil da ONU. Diante de reação indignada, deu-se conta da enormidade que havia pronunciado e suavizou: «Sacumé, eu só queria dizer sair do Conselho de Direitos Humanos, não da ONU inteira, talquei?».

Talquei. Não só o Brasil não «saiu» do Conselho, como ainda se candidatou à reeleição, fez campanha oficial e foi reeleito. Algum guru menos tapado há de ter aconselhado nosso presidente a ficar quietinho desta vez.

Agora, falemos nós. Francamente. Conselho de Direitos Humanos que teve, até ontem, China, Arábia Saudita e Cuba, e que hoje conta com Venezuela e Paquistão é hilariante. Está mais pra piada que pra coisa séria. A Arábia Saudita é aquele país onde mulher não tem direito de sair à rua sem a companhia de um homem. Não tem direito nem de dirigir automóvel. Na China e no Paquistão, todo o mundo sabe como funciona: lugar de direitos humanos é na lata do lixo. E a Venezuela, que acaba de chegar? Não é aquele país que manda os brucutus atropelarem manifestantes nas avenidas? Não é aquele país de onde só não escapou quem é ligado ao regime ou quem não tem dinheiro pra comprar a passagem?

Com um Conselho de Direitos Humanos assim, mais teria valido cair fora. Como de costume, os gurus do presidente andam defasados. No presente caso, doutor Bolsonaro devia mesmo é ter batido pé firme na primeira bravata em vez de dar ouvido a gurus. Devíamos ter caído fora desse Conselho. Que o Brasil não empreste (o que resta de) seu prestígio a essa farsa.