Reflexões – 2

José Horta Manzano

Fugiu da escola
Em 16 de fevereiro, Bolsonaro esteve em Moscou. Foi recebido por Vladímir Putin. Diante das câmeras, expressou solidariedade com a Rússia. Em seguida, confidenciou o seguinte: “A leitura que eu tenho do presidente Putin é que ele é uma pessoa também que busca a paz.

Exatamente oito dias depois, as tropas de Putin (aquele que “busca a paz”, segundo Bolsonaro), invadiram a Ucrânia, um país independente e soberano. Vê-se que o capitão deve ser péssimo estrategista, visto que é bem ruinzinho de leitura. Devia voltar pr’a escola.

Brics
O capitão está aperreado com a reunião do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, prevista para junho próximo em formato virtual. Encarregada da organização, a China não fala em cancelamento do encontro. Nem há por que cancelá-lo. Portanto, ele deve ocorrer.

Uma semana depois de Bolsonaro ter prestado “solidariedade à Rússia”, Putin deu sinal verde a seus exércitos para a invasão da Ucrânia. Ao agir assim, tornou-se um pária  e foi banido dos países mais avançados (Europa ocidental, América do Norte, Japão, Austrália). O banimento deve durar por muitos anos.

O capitão está metido numa saia justa.  Precisa ter em mente que ele próprio também está sendo olhado de soslaio pelos dirigentes de países decentes. O encontro do Brics está cada vez mais parecendo um fórum de autocratas confirmados e aspirantes a autocrata. Faltar a uma reunião virtual não pega bem, visto que, salvo uma crise de intestino solto, não há desculpa.

Então, vai ou não vai?

China
O que devia incomodar o capitão é outra coisa. A organizadora do evento é a China “comunista”, que ele escolheu como sua arqui-inimiga favorita. Virtual ou não, participar da reunião é como entrar na casa do inimigo! Será que os devotos não vão se escandalizar?

Até na hora de escolher seu pária favorito ou seu inimigo preferencial o capitão se empepina.

Rapidinha 30

José Horta Manzano

«Para se preservar, Dilma celebrou o 70° aniverário do fim da Segunda Guerra em lugar fechado e protegido. Antes dela, o último chefe de Estado a ficar em lugar fechado e protegido em evento ligado à Segunda Guerra chamava-se Adolf Hitler.»

Historinha entreouvida por aí.