A ministra que não foi

Santa Ludmila

José Horta Manzano

A doutora que recusou o convite de Bolsonaro (não sem antes ter se deslocado a Brasília para ser sabatinada, note-se) grafa seu prenome Ludhmila. É uma das numerosas maneiras de escrever esse nome.

Ludmila é a forma mais comum. De origem eslava, o nome é bastante difundido na Rússia e na República Tcheca. Ocorre também nos demais países eslavos e, de certa maneira, no resto do mundo.

É composto de duas raízes: liud (povo, gente) + mila (graça, bondade). Não há que buscar um ‘significado’ na junção dessas duas raízes. Como os germânicos, os eslavos simplesmente associam, ao compor os nomes próprios, duas ideias agradáveis ou positivas.

Santa Ludmila foi uma princesa da Boêmia (uma das regiões da Tchéquia atual). Morreu assassinada faz exatamente 1100 anos, em 921, por volta do dia 15 de setembro. Embora seu assassinato tenha decorrido de intrigas palacianas e não se tenha dado exatamente por motivos de fé, foi canonizada pouco depois da morte e é considerada mártir da Igreja. A hagiografia católica fixou sua festa em 16 de setembro.

Seu nome tem numerosas variantes de grafia: Ludmilla (em alemão), L’udmila (em eslovaco), Ludzimiła ou Ludomiła (em polonês). Nas línguas que usam caracteres cirílicos, como o russo e o búlgaro, escreve-se Людмила (Liudmila).

Não resisto a uma observação mordaz. Os componentes do nome Ludmila (povo + bondade) definitivamente não combinam com o estilo bolsonárico. A parceria entre a doutora e o presidente não tinha como dar certo.