Olimpíadas chegando

José Horta Manzano

Este 27 de abril marca um símbolo: faltam exatos 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ninguém discute: é o evento esportivo mais importante do planeta. Só pra avaliar, aqui estão alguns números:

Primeira edição dos Jogos realizada na América do Sul

42 esportes

10.500 competidores

206 países representados

306 medalhas em disputa

11 milhões de refeições a servir

137 mil participantes diretos entre funcionários, voluntários e terceirizados.

O mundo está em efervescência. Entre os atletas, corre solta a disputa pela honra de conseguir uma vaga. Participantes brigam e torcem para ser escolhidos como porta-bandeira, glória suprema.

Surpreendentemente, o Brasil ‒ maior interessado ‒ não dá mostra de grande interesse. A atenção especial que deveria estar sendo dirigida às Olimpíadas está em segundo plano. Inflação, desemprego e nuvens negras na governança da União sobressaem. Tem-se a impressão de que o maior encontro esportivo é fato menor, acessório, marginal.

A expectativa de conquistar medalhas foi substituída, na cabeça do povo, pelas continhas sórdidas de quantos milhões serão roubados. A questão maior mudou de foco. O bolsão de apostas tenta antever quem serão os beneficiários da ladroeira. Triste momento e triste país.

Manchetes de hoje de alguns veículos da imprensa estrangeira

Interligne 28aRadio France Inter, emissora pública francesa

A 100 dias dos JOs, o Brasil atravessa crise

A 100 dias dos JOs, o Brasil atravessa crise

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NDTV, tevê indiana de informação contínua

Brasil luta contra o caos 100 dias antes dos JOs

Brasil luta contra o caos 100 dias antes dos JOs

Interligne 28aFrankfurter Allgemeine Zeitung, diário alemão de referência

Caos no Brasil

Caos no Brasil

Interligne 28aPágina Siete, portal boliviano de informação

A crise brasileira ameaça os Jogos Olímpicos Rio 2016

A crise brasileira ameaça os Jogos Olímpicos Rio 2016

Interligne 28aNanopress, portal italiano de informação

Federica Pellegrini, porta-bandeira da Italia nas Olimpíadas 2016

Federica Pellegrini, porta-bandeira da Italia nas Olimpíadas 2016

Interligne 28aDeutschlandfunk, portal alemão de informação

Mau humor 100 dias antes das Olimpíadas

Mau humor 100 dias antes das Olimpíadas

Interligne 28aDernières Nouvelles d’Alsace, portal francês de informação

Brasil: 11 mortos nas obras dos JOs

Brasil: 11 mortos nas obras dos JOs

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Quem viver, verá

José Horta Manzano

O marco simbólico dos 100 dias que faltam para a «Copa das copas» (*) acaba de ser transposto. A ocasião foi propícia para um balancete. O resultado parece não ter sido brilhante.Estadio 1

O site LanceNet, especializado em futebol e, marginalmente, em outros esportes, andou verificando matérias publicadas por jornais europeus. Não são lá muito lisonjeiras.

Numa certa altura, o site diz:
Interligne vertical 14«O britânico The Times trouxe uma entrevista com Jérôme Valcke em que o secretário-geral da Fifa fala da preocupação da entidade em relação à organização da Copa. O diário cita o caos na sede do próximo Mundial e diz que esta pode ser a pior Copa do Mundo.»

Eta coisa desagradável de ler, não?

E tem mais:
Interligne vertical 14«Outros empecilhos para o Mundial citados pelo jornal são a queda de apoio ao evento por parte dos brasileiros e a possível revolta popular à época do torneio, além da distância física entre as 12 sedes brasileiras. A publicação diz que os cerca de 3,6 milhões de torcedores esperados para a Copa sofrerão para chegar aos jogos por terem de trafegar “desde a Floresta Amazônica até a dominada pelo crime São Paulo”.»

São Paulo dominada pelo crime! Vejam, senhores, a imagem que estamos transmitindo do Brasil que, um dia, foi habitado por um povo cordial.

Li outro dia uma frase maldosa, daquelas que não deixam de ter sua dose de verdade. Na montagem fotográfica, nossa sorridente presidente aparece em primeiro plano. Como pano de fundo, a maquete de todos os luxuosos estádios que ― imagina-se ― estarão prontos para o campeonato mundial. No rodapé da charge, a frase que choca: «Se seu filho adoecer, leve-o a um dos estádios da Copa». Para não chocar mais, renuncio a reproduzir aqui a ilustração.

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(*) «Copa das copas»

A expressão não é minha. Foi bolada ao molho do informal Ministério do Marketing, a mais preciosa entre as numerosas pastas que assessoram a presidência do Brasil. Resta esperar que não entre para a História como expressão de mau agouro. Há precedentes.

Prestes a fazer sua primeira (e última) travessia do Atlântico, o ultrassofisticado Titanic foi saudado como «the unsinkable ship», o navio insubmersível. Sabemos como terminou.

No início da Guerra do Golfo (1990), Saddam Hussein deu ao conflito o epíteto de «Mother of Battles», mãe de todas as batalhas. Sabemos como terminou.

Melhor parar por aqui. Sai, azar!

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