A assinatura do Lula ‒ 1

José Horta Manzano

Nos anos setenta, tomei aulas de grafologia. A técnica me interessava. Não levei adiante a prática, mas guardei as noções de base. A escrita de certas pessoas é tão marcante que nem precisa ser grafólogo pra diagnosticar algum traço da personalidade.

Donald Trump – assinatura

Aqui acima, a assinatura de Donald Trump. Impressionante, não? Saltam aos olhos a profusão de ângulos pontiagudos e a ausência de traços arredondados. Esse jamegão em forma de ancinho passa impressão de agressividade. De fato, o mandatário americano é muito agressivo. A grafologia detecta ainda um caráter intransigente, abrupto, firme, tenaz e cabeçudo. São adjetivos que colam perfeitamente ao personagem.

Outro dia, topei por acaso com a assinatura de Lula da Silva. Fiquei curioso pra saber como ela evoluiu com o tempo. Encontrei uma amostra de 1994 e outra de 2016. Em duas décadas, a assinatura amadureceu, mas a peculiaridade mais marcante permaneceu. Comento mais abaixo.

Lula da Silva – assinatura em 1994

Lula da Silva – assinatura em 2016

Diferentemente de Trump, a firma do Lula não transmite agressividade. A escrita de 1994 era solta, arredondada, despretensiosa. Vinte e dois anos mais tarde, alguns ângulos endureceram a assinatura denotando uma personalidade mais imbuída da própria importância.

Um traço marcante detectado em 1994, no entanto, se mantém. Falo da curiosa chicotada que o Lula dá em si mesmo e que se prolonga aos que lhe estão pela frente. O distinto leitor pode comprovar que, nos dois exemplos, quando o político chega ao final da assinatura, dá uma volta atrás sem levantar a caneta. Em seguida, faz meia-volta e lança o chicote para diante. A volta atrás serve apenas pra dar impulso antes da ferroada.

Essa chicotada suscita duas reflexões. Em primeiro lugar, denota personalidade traiçoeira. Apesar de o arredondado de algumas letras sugerir caráter afável e agradável, quando chega o fim da estrada, irrompe um golpe imprevisto mas certeiro. É a imagem do escorpião, bicho que tem o veneno dissimulado no rabo e ataca sem avisar. Um perigo!

A segunda reflexão é sobre um ponto paradoxal. A chicotada de Lula da Silva não passa acima nem abaixo da assinatura. Em vez de preservar a própria personalidade ‒ simbolizada pela rubrica ‒ o ferrão do Lula risca a assinatura, num gesto que grafólogos interpretam como verdadeiro atentado contra si mesmo. Assinatura barrada indica personalidade profundamente perturbada. Considerando que a firma é uma minibiografia, o talho que a percorre mostra que o autor, de certo modo, anula a própria pessoa.

Não há dúvida de que Lula da Silva tem personalidade complexa. Ao mesmo tempo, o demiurgo ataca o próximo e destrói a si mesmo. Um caso a ser estudado.

4 pensamentos sobre “A assinatura do Lula ‒ 1

  1. Também eu me interessei por grafologia tempos atrás. Tinha um livro que explicava os conceitos de base e mostrava exemplos de cada condição. O que você chama de chicotada (muito bem definida, aliás) para mim é também uma vontade irrefreável de volta ao passado para se reassegurar da própria força e poder projetar os próximos passos.

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  2. Pingback: A assinatura do Lula ‒ 2 – Brasil de Longe

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