Coisas da Suíça

José Horta Manzano

Você sabia?

Todo país tem suas festas tradicionais. A Suíça, que começou a se formar há mais de sete séculos, também tem as suas. Uma delas, cuja importância é acentuada pela raridade, é a Festa Federal de Luta e de Jogos Alpestres. A manifestação, que dura um fim de semana, tem lugar a cada três anos. Cada edição se desenrola numa região diferente. Diferentes versões regionais foram unificadas e codificadas em 1895. De lá pra cá, os jogos são nacionais e se organizam regularmente.

Luta suíça 1A festa, que se realiza num estádio, reúne muita gente e conta com a presença do presidente do país. O ambiente é festivo, quase como numa quermesse, com toneladas de salsicha branca com mostarda sendo consumidas. A salsicha branca grelhada é tão importante quanto era comer pipoca no cinema antigamente.

A festa compõe-se de vários concursos e jogos. Um dos mais importantes é o lançamento da Pedra de Unspunnen, um enorme bloco de granito que pesa exatos 83,5kg. Caso o distinto leitor não seja halterofilista, será difícil imaginar como pode alguém levantar um bloco de mais de oitenta quilos e, ainda por cima, atirá-lo ao longe. Não é pra qualquer um. O recorde oficial foi estabelecido faz 12 anos, em agosto de 2004. Um jovem conseguiu lançar a pedra a 4,11m de distância. Importante: utiliza-se sempre o mesmo bloco de pedra.

Luta suíça 3O ponto alto são as competições de Luta Suíça. Pra quem nunca assistiu, é inusitado. Lembra um pouco o sumô ou o judô, mas tem características próprias. Pra começar, não há restrição de altura nem de peso dos concorrentes. Todos estão na mesma categoria. Portanto, é natural que todos tenham perfil de carregador de piano.

Dois competidores se enfrentam no interior de um círculo forrado com serragem. Cada um veste, por cima da calça, um calção de juta preso à cintura. O objetivo é derrubar o adversário e fazê-lo encostar as costas no chão. Não vale agarrar pela camisa, cada combatente agarra no calção do outro. O enfrentamento dura alguns minutos.

Luta suíça 2Terminada a luta, é praxe que o vencedor limpe a serragem que ficou grudada nas costas do perdedor, num simpático gesto de consideração. Em princípio, ninguém sai de perna quebrada, nem sangrando, nem machucado. Tudo termina com tapinhas nas costas. Às vezes, o perdedor deixa escapar umas lágrimas, coisa surpreendente para gigantes de 120kg. Este ano, pela primeira vez desde 1940, o vencedor tinha mais de 30 anos.

Para quem nunca viu, vale a pena dar uma espiada neste vídeo de 2 minutos. Mostra o vencedor da edição 2016, um encontro que contou com 80 mil espectadores. Como prêmio, o campeão ganha… um touro. Não parece, mas o animal poderá ser bastante rentável se utilizado como reprodutor. Se for bem cuidado, será valor seguro, não sujeito a flutuações da Bolsa. Coisas da Suíça.

3 pensamentos sobre “Coisas da Suíça

  1. Cultura e tradição.
    Com os avanços tecnológicos verificados nas últimas décadas, fico na dúvida se essas modalidades ainda tidas como esporte serão no futuro preservadas.
    Nas Olimpíadas do Rio 2016 fiquei a refletir sobre a modalidade do levantamento de peso…

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    • Ricardo,

      Na Suíça, é dogma: não se mexe com nada que comprometa a coesão nacional. Confederação composta por regiões de língua, alimentação, religião, costumes diferentes, o país se aferra a tudo o que puder ser chamado de «nacional». Portanto, pode escrever: os netos dos netos dos «carregadores de piano» atuais ainda vão apreciar e praticar a Luta Suíça. E a comer salsicha branca grelhada com mostarda.

      Quanto ao Comitê Internacional Olímpico acolher ou deixar de acolher esta ou aquela modalidade, não sei dizer. Pessoalmente, considero que técnicas físicas em que o homem tenta superar os próprios limites tendem a se enquadrar na categoria esportiva. Nem todas as técnicas, evidentemente, mas arremesso de matéria inerte não me choca. Arremesso de anões seria mais problemático.

      Uma restrição faço: não entendo que se chame de esporte as modalidades que utilizam animais. Equitação, a meu ver, deveria ser banida dos JOs. Não tem nada que ver com o esforço de um ginasta ou de um nadador. Se dependesse de mim, não haveria mais as execráveis touradas, as lamentáveis corridas de cavalos, as estúpidas brigas de galo e outras barbaridades do gênero.

      É minha opinião, ninguém é obrigado a compartilhar dela.

      Forte abraço.

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