Os 111 anos de um marco do rádio

Hamilton Almeida (*)

Padre Landell de Moura

Padre Landell de Moura

Há 111 anos, na cidade de Washington, a capital dos Estados Unidos, um acontecimento silencioso estabeleceu um dos marcos da história das telecomunicações, ainda que não seja devidamente valorizado.

No dia 11 de outubro de 1904, o Departamento de Patentes, hoje chamado US Patent & Trademark Office, outorgou a carta-patente da invenção do WaveTransmitter (Transmissor de Ondas) ao padre cientista brasileiro Roberto Landell de Moura (1861-1928).

O Transmissor de Ondas era capaz de transmitir voz humana, música, quaisquer sons, à distância, sem fios. Nascia ali o aparelho precursor do rádio! Naquela época, o que existia de mais moderno nas telecomunicações era o telégrafo sem fio, invenção patenteada por Marconi, na Inglaterra, em 1896.

Examinado com o olhar atual, o rádio do padre Landell atingia uma larga faixa do espectro de radiofrequência, sendo captado, inclusive, na faixa de FM. A reprodução da voz não era perfeita e nem se podia esperar mais do aparelho pioneiro. Importante, contudo, é seu significado histórico.

Landell 2Padre Landell também havia patenteado o rádio no Brasil (em 1901) e não recebeu nenhum apoio para industrializá-lo, nem mesmo após o reconhecimento nos EUA. Foi um raro inventor, um gênio, porém sem glória!

Nos EUA, onde ficou três anos e meio, fez pelo menos uma experiência de radiodifusão para poder ter direito à carta-patente. Sabe-se que residiu e montou um modesto gabinete de física no distrito de Manhattan, em Nova York.

Radio 5Recebeu correspondência na famosa avenida Broadway nº 80. Atualmente, está erguido ali um enorme edifício com agências do BNY Mellon Bank e do Chase Bank. Bem perto, está a igreja anglicana Trinity Church, um marco da cidade, em pleno centro financeiro.

Antes de patentear suas invenções, padre Landell realizou várias experiências públicas na cidade de São Paulo para sensibilizar potenciais investidores: entre o Colégio Santana e a Ponte das Bandeiras, entre a avenida Paulista e a colina de Santana, por exemplo. Mas ficou à margem da história.

(*) O paulista Hamilton Almeida é jornalista e escritor. O artigo foi escrito especialmente para o Portal dos Jornalistas.

2 pensamentos sobre “Os 111 anos de um marco do rádio

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