Frase do dia — 264

«Aliás, já temos [conteúdos importantes]: criamos a novela. Ao criarmos a novela criamos uma das formas mais importantes no nosso País de fabulação, de contar história, algo que a humanidade desenvolveu quando se tornou humana.»

Dilma 1Trecho do discurso pronunciado pela presidente da República no dia 6 out° 2015 quando da abertura do Congresso Brasileiro de Radiodifusão, Brasília.

É interessante notar que dona Dilma atribui a criação da novela à genial inventividade brasileira. Não lhe ensinaram que esse gênero, sucessor do folhetim, é multissecular. Já no século XVIII, jornais franceses publicavam histórias a conta-gotas, em capítulos diários. Com o advento do rádio, nos anos 20, novelas foram adaptadas para o modo radiofônico. Vinte anos mais tarde, a televisão americana se apropriou do modelo e o fez entrar no molde televisivo.

Ainda que a verdade possa desagradar a nossa mandatária, não criamos a novela. Assim como não inventamos a mandioca.

Uma última observação
Num momento de notável lucidez, dona Dilma lembrou que, um dia, a humanidade se tornou humana, constatação extraordinária. A presidente não especificou como era a humanidade antes dessa crucial transformação. Ignaros e sedentos de aprender, ficamos todos, ansiosos, à espera de suas luzes, presidente!

O texto integral do admirável discurso está no mui oficial site do Planalto, aquele que, subserviente, chama a presidente de “presidenta”.

2 pensamentos sobre “Frase do dia — 264

  1. Ora, meu caro, que ingenuidade a sua! Antes de se tornar humana, a humanidade era obviamente simiesca, conforme já o demonstrou um importante cientista. Acredito que esse laço ficou oculto na fala de D. Dilma porque ela não queria ferir a susceptibilidade de alguns brasileiros que não gostam de ser lembrados de sua descendência dos primatas superiores. Com um pouco mais de prática na interpretação dos vocábulos da novilíngua em uso em nosso país, você perceberá também que o que ela quis dizer quando afirmou que criamos a novela é que, entre nós, os brasileiros, e eles, os nacionais de outros países, há uma diferença significativa em termos de engenhosidade cerebral – algo que talvez se deva a um número maior de circunvoluções da dura mater, quem sabe. De qualquer maneira, a maior inventividade brasileira é tão acachapante que eu ousaria mesmo dizer que somos uma subespécie da raça humana e um futuro glorioso nos espera logo ali, na esquina.

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