Persona non grata

José Horta Manzano

Persona non grata 1O ofensor esquece e logo vira a página. O ofendido leva mais tempo. Pelas bandas do Planalto, o coice que nossa presidente assestou no embaixador da Indonésia já caiu na vala do esquecimento. Não é o que acontece em Djacarta.

Quatro dias depois da deplorável proeza de nossa esperta diplomacia, o governo indonésio ainda está longe de digerir o insulto. A edição do Jakarta Post deste 24 fev° traz artigo intitulado Brazil plays down RI’s threats – Brasil zomba das ameaças da Indonésia. O jornal lembra que o governo indonésio prometeu represálias que perigam custar caro ao Brasil.

O texto mostra indignação com o menosprezo explícito de dona Dilma por aquele país. Nossa presidente, para quem as estatísticas do momento contam mais que perspectivas futuras, declarou que as relações comerciais entre o Brasil e a Indonésia não representam mais que um porcento de nosso comércio exterior.

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

Mais uma vez, a senhora Rousseff escancara sua curta visão. Já próxima das setenta primaveras, a presidente ainda não conseguiu entender que o mundo não é congelado, que as coisas costumam mudar. O que hoje é pequeno pode-se tornar importante amanhã. E vice-versa, naturalmente.

O ultraje infligido àquele país foi pesado demais. Pior: foi proposital, de caso pensado, calculado para impactar. Mostrou a arrogância dos perigosos personagens que, aboletados no Planalto, maltratam nossa política exterior como criança birrenta pisoteia brinquedo que não lhe agrada mais.

O voluntarismo presidencial – na certa incentivado por seus toscos conselheiros de marketing – já começa a dar frutos. O Jakarta Post relata que o governo indonésio está reavaliando a planejada compra de 16 aviões modelo Super Tucano, da Embraer. O preço básico de cada aparelho é de 11 milhões de dólares. Sem opcionais.

Uma das páginas do portal de nosso Ministério das Relações Exteriores traz uma citação que vai assim:

Frontispício de um dos portais do Itamaraty

Frontispício de um dos portais do Itamaraty

«O Brasil é um dos 11 países do mundo que se relacionam com todos os Estados-membros das Nações Unidas. Dialogamos com todos porque respeitamos as diferenças.»

O importante não é a quantidade de países com os quais o Brasil se relaciona. A qualidade do diálogo pesa mais. A afronta que dona Dilma impôs ao povo indonésio desmente a bonita frase do Itamaraty.

Longe de ser partidária da dialética, nossa presidente é, no duro, fã do monólogo. Raivoso e insolente.

Um pensamento sobre “Persona non grata

  1. Tomara que ela aprenda — se tiver tempo! — a agir de forma pelo menos um pouco adequada em situações como essa! Realmente ela não é um exemplo de diplomacia e respeito para com o próximo!

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