Conheceu, papudo?

José Horta Manzano

Foguete chinês

Foguete chinês

Herton Escobar nos anuncia, em seu blogue alojado no Estadão, que um lançamento de satélite brasileiro fracassou. Tratava-se de projeto desenvolvido em conjunto com a China. O veículo espacial foi lançado esta segunda-feira do Centro Espacial de Taiyuan, naquele país. Diferentemente dos fogos Caramuru, o lançamento deu chabu. Tudo indica que o tempo, o esforço, o dinheiro foram desperdiçados. E a credibilidade levou um golpe.

Mais quelle idée! ― diriam os franceses. Que ideia mais maluca essa de se associar a chineses para esse tipo de aventura. Ideologia pode ter sua utilidade num palanque, mas, na hora de gastar nosso dinheiro, nossos mandachuvas deveriam ser mais escrupulosos. Duzentos e setenta milhões de reais! Como é bom ser irresponsável com o dinheiro alheio…

Até os parafusos que mantêm unidas as placas da fuselagem de qualquer nave espacial sabem que os chineses não são detentores de tecnologia de ponta em matéria de exploração espacial. Nem os indianos, nem os brasileiros, nem os sudaneses. Os três grandes são os EUA, a Rússia e a França. Países importantes como Alemanha, Itália, Canadá, quando têm de lançar seus satélites, recorrem a um dos grandes. Não vão arriscar seu dinheiro com principiantes.

Por que essa reticência brasileira em recorrer a quem tem conhecimento no ramo? Se foi por economia, aprenderam ― com nosso dinheiro! ― que o barato sai caro. (Nossos avós já sabiam disso.)

Foguete chinês

Foguete chinês

Talvez tenha sido por medo de que americanos, russos ou franceses pudessem inserir no satélite um cavalo de troia para coletar informações sensíveis. E quem é que garante que os chineses não terão feito igualzinho?

Quem quer serviço benfeito procura o melhor fornecedor. Considerando que o atual governo brasileiro está a anos-luz de qualquer afinidade ideológica com o governo chinês, a razão para terem escolhido um fornecedor de segunda categoria terá sido demonstrar uma certa soberba. Foi para mostrar aos loiros de olhos azuis que não precisamos deles, dado que os de zoinhos puxados nos dão uma força. Conheceu, papudo?

Não deu certo.

4 pensamentos sobre “Conheceu, papudo?

  1. Cara, respeito sua indignação, mas acho que você deveria pesquisar um pouco mais. Missões espaciais são sempre arriscadas e falhas podem ocorrer sim. Segundo, é muito comum a associação entre diferentes agências, visto o custo e a alta especificidade técnica requeridos. Um pouco de pesquisa rápida no Google iria revelar que outras missões fracassaram – os japoneses já lançaram uma sonda que chocou-se diretamente em Marte por um erro de cálculo. Em uma outra missão russa-alemã, vazou combustível e a sonda, com uma câmera alemã caríssima, explodiu poucos segundos depois do lançamento. Felizmente as agências espaciais têm superado obstáculos políticos e a cooperação técnica avança sem precedentes. (Talvez a NASA ainda seja uma exceção quanto à transferência tecnológica – mas nunca em comprtilhar os dados obtidos por suas sondas). Cabe ao público leigo deixar de lado desavenças políticas e observar o crescimento da agência espacial brasileira, que há poucos anos nunca era lembrada na área e hoje muitos cientistas espaciais citam suas publicações e visam trabalhar em cooperação. Abraços

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    • Olá, prezado Felipe!

      Agradeço-lhe por sua colaboração. Má sorte, acidentes, imprevistos, fatalidades, erros humanos ocorrem em toda parte a toda hora. A perfeição não existe. Como se diz por aqui, «le risque zéro n’existe pas» ― não existe o risco zero.

      Vamos raciocinar. Quando eu preciso de um sócio ou de um parceiro ― desde que meu dinheiro chegue, naturalmente ― procuro o que houver de melhor à disposição. Se tenho de mandar o carro ao mecânico, prefiro a concessionária ao «curioso» da esquina. Se tenho de viajar de avião, prefiro uma companhia de renome a uma empresa de segunda. Se tenho de me internar num hospital, prefiro evitar um estabelecimento mambembe e procuro dar entrada num mais conceituado. É verdade ou não?

      Pois assim também é (ou deveria ser) nas parcerias entre países. Trezentos milhões de reais é muito dinheiro. Custa a ganhar. Cada centavo representa o esforço dos brasileiros. O governo federal tem a chave do cofre e a liberdade de decidir quanto quer gastar. Na hora de escolher um sócio, mais vale confiar no mais experiente.

      Diga, agora, mui honestamente: caso a decisão de escolher um parceiro para uma aventura espacial coubesse a você, você escolheria a China?

      É uma questão de bom-senso, prezado Felipe.

      Obrigado pela manifestação. Apareça sempre que tiver um tempinho.

      Abraço.

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      • Na verdade esta parceria com a China começou em 1988 (25 anos atrás) e já foram lançados 2 satélites pelos chineses ( um em 1999 e outro em 2000), portanto esta parceria não começou neste governo e não vai terminar no próximo.

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  2. Concordo com o post, e tá certo… como já disseram aí em cima, missões espaciais são arriscadas demais… dado esse fato, PORQUE, meu Deus, porque é que você vai lá e coloca toda a sua aposta num novato??? Ainda mais Chinês que sempre teve má fama com tecnologia (ou alguém gosta de produto chinês?? mente aí, vai, mente…) e pior ainda, sabendo que existem GIGANTES da área, como Rússia e EUA… quase todos falaram, eu concordo, era pra ser a Rússia a nossa parceira, e não esse país-xerox que só sabe imitar os outros mas não passam de formigas operárias acéfalas… Podem estar chegando PERTO das outras agências espaciais em questão de conhecimento e tecnologia, mas em experiência jamais chegarão… e o Brasil, pra variar, ajudando eles e tirando nossa grana pra eles gastarem nessas brincadeiras… pelo amor…

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