Dad Squarisi (*)
É um susto atrás do outro. Mães e pais se surpreendem com a língua da meninada. No telefone, usam código próprio. É um tal de tô gudi pra cá, tá numa bad pra lá, se pá pracolá. No computador, o sobressalto não é diferente: abreviaturas estranhas, palavras inventadas — tudo aos pedaços, sem começo nem fim, sem pé nem cabeça. Bicho vira bx. Você, vc. Beijo, bj. Aqui, aki.
O que fazer? Nada. Somos poliglotas na nossa língua. «Não falamos português. Falamos línguas em português», repetia José Saramago. Gíria, internetês, estrangeirismos, norma culta convivem com harmonia. Garotos e garotas são safos. Transitam com desenvoltura em todas. Melhor: dispensam professor pra lhes dizer quando recorrer a esta ou àquela modalidade. Proibi-los de usar uma ou outra? É excluí-los. Deus castiga.
(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura.

O duro e acompanhar esta juventude
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A causa, obviam/, é o INTERNETÊS… Eu mesmo, costumo abreviar qdo digito, ganha-se tempo… (Claro, não falo assim, mas uso mto na digitação… lógico q não exagero: a prova está aqi, né? rsrsrs) !!!
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