Texto de Alcindo Garcia (*)
Diverti-me lendo Português com Humor da Dad Squarisi, um compêndio da língua portuguesa que ensina com toque de humorismo. Veio ao encontro da minha mania de catalogar anúncios. Alguns surgem em forma de outdoor. Para os não afeiçoados em publicidade, são aqueles cartazes enormes de propaganda, visíveis nas ruas ou à beira das estradas. Uma designação genérica de propaganda feita ao ar livre. Designa qualquer propaganda feita fora, exposta em via pública.
Os outdoors são feitos em forma de painéis, letreiros, luminosos, tabuletas. Têm poder de comunicação visual e leitura instantânea e são colocados em locais de boa visibilidade. O fiasco é quando escrevem com o português errado. Em comunicação, seja qual for o tipo de mídia, escrever errado é um desastre. Cochilos acontecem. Mas, em se tratando de um outdoor, um cochilo de dez metros por quatro é pouco menor do que a anta da empresa que produziu a pérola.
Nas eleições passadas, certo candidato afixou um outdoor perto da minha casa: «Vote em fulano, você sabe porque?». Com o porque emendado. Segundo a Dad Squarisi, o certo é: você sabe por quê? (o por que separado). Não avisaram ao candidato que sempre que houver relação com um motivo, usam-se duas palavras separadas: por e que. Se estiver em final de frase, ou seguido de pausa, acentua-se o quê, portanto nesse caso é tônico. Por quê. Separadinho da silva e ainda com chapeuzinho.
Quando passo por algumas estradas, certos avisos de advertência me assustam de medo da colisão, pois tem gramática na contramão. Fico imaginando a ousadia da concessionária da estrada ao colocar o aviso: «Conserve a direita». O certo seria «Conserve-se à direita». É preciso avisar as autoridades do trânsito que o verbo conservar é pronominal no sentido de permanecer, ficar, continuar. Portanto, «Conserve-se à direita» ou seja, permaneça, fique, continue à direita. Se não estou enganado, deve ser essa a recomendação que a concessionária desejaria passar aos motoristas.
Para finalizar, cataloguei alguns cartazes caipiras em entradas de sítios e fazendas também dignos de registro: «Vende mer de abêia», «Trave a portêra despoi de passar», «Não dar comida pra zavestruis» e «Favor não atazanar os ganso».
(*) Alcindo Garcia é jornalista, colaborador de numerosas publicações

Belo texto. Parabéns ao autor e ao blogueiro, que o compartilhou.
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