José Horta Manzano
Em 1958, rodou o primeiro automóvel fabricado na República Popular da China. Sua marca era Hongqi, que se pronuncia hon dji e que significa Bandeira Vermelha – evidente alusão à bandeira nacional chinesa.
Nas primeiras décadas, os carros Hongqi foram reservados aos mandarins do Partido Comunista. Eram os únicos naquele país em condições de possuir automóvel. Os demais chineses viviam na pobreza, sem esperança de acesso a esses luxos.
Hoje, com a sensível melhora do nível de vida no país, a marca tenta se impor também no mercado internacional. Para isso, conta com um vistosíssimo “garoto propaganda”. Quando Xi Jinping, secretário-geral do Partido Comunista da China, viaja ao exterior, seu carro oficial, um Hongqi modelo N701 que viajou antes dele, o espera na descida do avião.
Esse modelo N701 tem quatro portas, mede 5 metros e meio de comprimento e é movido por um motor turbo V12 (12 cilindros) de 408 cavalos de potência. Roda 800 quilômetros sem precisar reabastecer. A versão presidencial tem alguns opcionais especiais: blindagem à prova de tiro de bazuca, isolamento contra ataque químico, pneus de 50cm à prova de bala, aparelhamento e monitores para transmissão criptografada. Peso mínimo: 3,1 toneladas. O preço de venda até que é modesto: US$ 700 mil.
Pouca gente precisa de tantos opcionais. A firma Hongqi produzirá não mais que 50 unidades nos próximos dez anos.
Em contraposição, o carro presidencial americano é um Cadillac de 5 lugares chamado The Beast (A Fera). É três vezes mais pesado que seu primo chinês: 10 toneladas. E sai pelo dobro do preço. Quanto aos acessórios de defesa, os americanos são menos loquazes que o chineses.
Mas cada um pode imaginar o sofisticado desempenho dessa fera. Só falta voar. Falta?…
