José Horta Manzano
Em época de bonança e vacas gordas, já é raro ver foto de chefes de Estado em trajes de banho ou de praia. As imagens de Putin, Biden, Macron, Xi Jinping ou Boris Johnson usando roupa de beira-mar são extremamente raras, quase inexistentes.
Quando – pior ainda – o país atravessa uma crise com 620 mil mortos pela pandemia, inflação descontrolada, famílias emigrando às pressas e violência comendo solta, nenhum dirigente civilizado ousaria deixar-se fotografar com pose feliz e descontraída.
Nenhum dirigente? Há uma exceção à regra e, para azar nosso, ela nos diz respeito. Trata-se de nosso presidente, fotografado dois dias atrás dançando funk numa lancha no mar paulista. Proibido, não é: é indecente.
Repare bem na foto, distinto leitor. Verá o capitão valentão rodeado por umas 4 ou 5 pessoas. Diga-me agora qual é a diferença principal entre Bolsonaro e os que o rodeiam?
Exatamente: ele é o único a vestir um colete salva-vidas. O bicho é laranjão, bem visível, vestido displicentemente por cima da camisa, como se ele estivesse se preparando pra sair à noite no sereno.
Neste ponto, é bom lembrar: o homem que, talvez por não saber nadar, se protege usando o apetrecho é exatamente o mesmo que tratou os brasileiros de ‘maricas’ porque estavam se vacinando pra se proteger contra a covid. Corajoso, eu?
Nota
A imagem não é nítida. Talvez o colete laranjão esconda um dispositivo à prova de balas. Se assim for, continua valendo o que acabo de dizer. Onde está a coragem do valentão que exortou seus conterrâneos a enfrentarem perigo de peito aberto? Era ‘cascata’?