José Horta Manzano
A epidemia de Covid-19, o novo coronavírus devasta o planeta numa onda que veio do Extremo Oriente, chegou à Europa e ameaça as Américas. Escorado no comportamento fanfarrão de seu ídolo americano, doutor Bolsonaro tem se mostrado nulo. Em vez de agarrar a ocasião pra subir ao palanque e mostrar força e vigor na proteção de seu povo contra o inimigo microscópico, deu de ombros e disse que a epidemia é “invenção da grande mídia”. Que cada um cuide de si. Afligente.
Nesta quinta-feira, ao levantar-se, ele há de ter ficado sabendo do que fez Trump durante a noite. O presidente americano deu uma pirueta e mudou radicalmente o discurso. Em tom solene, anunciou haver decretado a proibição de entrada nos EUA de todo estrangeiro que tiver pisado solo europeu nas últimas semanas. Solo chinês pode. A medida só visa a Europa. Mr. Trump encontrou no Velho Continente o inimigo providencial para reforço de sua campanha eleitoral. A medida sem precedentes assustou Oropa, França e Bahia. Bolsas caíram. Aviões voam vazios. Homens de negócio não sabem que fazer. Turistas desacorçoados pousam a mala no chão.
E agora, doutor Bolsonaro? Como é que fica aquela história de que «esse vírus não é mais que uma gripezinha à toa»? Vai dar uma viravolta também? Agora pode, que Seu Mestre mandou. É nisso que dá viver dentro de uma bolha, cercado de militantes, isolado do mundo. Quem se afasta, como ele, nada aprende, de nada fica sabendo, a nada reage.
Agora doutor Bolsonaro está metido numa saia justa. Se seguir o exemplo de Mr. Trump, a vassalagem vai ficar explícita – um papelão. Se persistir na negação do evidente perigo causado pelo vírus, é o entupimento que vai ficar evidente – um papelão. Dilema é isso: escolha entre duas opções ruins. Quem viver, verá.
