Doutor Eurípedes

José Horta Manzano

Não sabia quem era doutor Eurípedes Júnior, presidente de um partido político da República brasileira. Fui conferir.

Atualmente é presidente de um partido chamado Solidariedade (sic). Anteriormente, foi presidente de outro partido político de nossa infeliz República. Um certo Partido Republicano da Ordem Social (Pros).

Doutor Eurípedes Júnior saiu do Pros mas as marcas de sua brilhante atuação ficaram. Ele é hoje investigado por:

  • organização criminosa,
  • lavagem de dinheiro,
  • furto qualificado,
  • apropriação indébita,
  • falsidade ideológica,
  • apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral.

Agora que meus distintos leitores já têm o cartão de visitas de Sua Excelência, vamos à chamada d’O Globo.

Talvez impressionado diante dessa folha corrida, o funcionário encarregado de resumir o caso em poucas palavras não hesitou. Tascou: “Desvio de fundo”.

Imagino que o autor seja um menino com idade para ser meu neto. Me deixa mais com pena do que indignado. Ele deve ter sido o melhor numa seleção entre dezenas de outros candidatos. É o Brasil de hoje, que fazer?

Desvio de fundo
Numa fábrica de garrafas, uma máquina engasgou e um vasilhame saiu torto. Olhando pela boca, se vê um “desvio de fundo”.

No oftalmologista, o cliente tem hora marcada para um exame de fundo de olho. Está receoso de que seja constatado um “desvio de fundo” (de olho).

Ainda que pareçam meio absurdas na vida real, essas frases estão gramaticalmente corretas. Dona Santinha, professora de Linguagem, não daria reguada em ninguém.

Já quando o desvio é de dinheiro, precisa botar um s no final e falar em ‘Desvio de fundos.

Aí, dona Santinha vai dar nota 100 com louvor.