Taj Mahal

José Horta Manzano

– Puxa, você desapareceu, hein! Tomou chá de sumiço?

– É, andei sumido sim.

– E o que é que andou fazendo?

– Tirei férias e fiz uma longa viagem. Passei anos economizando pra poder realizar meu sonho: uma viagem à Índia. Pode até parecer presunçoso, mas é que eu tinha muita vontade. Resolvi assumir.

– Índia? Fazer o quê? Visitar o Taj Mahal?

– Exatamente! Desde criança, aquele palácio de mármore me fascinou. Quando o assunto era viagem, sempre me vinha à mente aquele suntuoso palácio. Tem gente que prefere Miami; eu optei pela Índia. Meu sonho de consumo agora está consumado.

– Presumo que tenha custado uma fortuna?

– Isso lá é verdade. Escolhi viajar em agosto, no feriado da Assunção, que sai mais barato. Contando o transporte, o alojamento e as refeições, o total é elevado. Resumindo: saiu uma pequena fortuna. Mas agora estou de volta. Segunda-feira que vem, reassumo na repartição. Com a lembrança do curry (do qual sou grande consumidor) e do palácio de mármore.

– Se você for dar outra sumida, avise antes!

Historinha meio boba, né? Foi só um pretexto pra mostrar um fenômeno interessante que se repete vinte vezes por dia sem a gente se dar conta. Sem perceber, usamos palavras da mesma família: descendentes, primas, irmãs até.

De propósito, escolhi uma baciada de descendentes do verbo latino sumere. Na origem, tem o significado de tomar, agarrar. Esse verbo desapareceu em francês e italiano, mas sobrevive nas línguas ibéricas (catalão, espanhol e português). Já seus compostos, mais estáveis, encontram-se não só em todas as línguas latinas, mas também em inglês.

Abaixo vai o mesmo texto. Desta vez, sublinho os membros da mesma família.

– Puxa, você desapareceu, hein! Tomou chá de sumiço?

– É, andei sumido sim.

– E o que é que andou fazendo?

– Tirei férias e fiz uma longa viagem. Passei anos economizando pra poder realizar meu sonho: uma viagem à Índia. Pode até parecer presunçoso, mas é que eu tinha muita vontade. Resolvi assumir.

– Índia? Fazer o quê? Visitar o Taj Mahal?

– Exatamente! Desde criança, aquele palácio de mármore me fascinou. Quando o assunto era viagem, sempre me vinha à mente aquele suntuoso palácio. Tem gente que prefere Miami; eu optei pela Índia. Meu sonho de consumo agora está consumado.

Presumo que tenha custado uma fortuna?

– Isso lá é verdade. Escolhi viajar em agosto, no feriado da Assunção, que sai mais barato. Contando o transporte, o alojamento e as refeições, o total é elevado. Resumindo: saiu uma pequena fortuna. Mas agora estou de volta. Segunda-feira que vem, reassumo na repartição. Com a lembrança do curry (do qual sou grande consumidor) e do palácio de mármore.

– Se você for dar outra sumida, avise antes!

S ou z: formação de palavras

Dad Squarisi (*)

Embriaguez se escreve com z. Português, com s. No caso, z e s soam do mesmo jeitinho. Por que a grafia diferente? A resposta está na origem:

  • Se a palavra primitiva for adjetivo, o z pede passagem:
    macio = maciez,
    líquido = liquidez,
    sólido = solidez,
    frígido = frigidez,
    embriagado = embriaguez.
  • Se a palavra primitiva for substantivo, é a hora e a vez do s:
    Portugal = português,
    corte = cortês,
    monte = montês,
    economia = economês,
    campo = camponês.

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em Linguística e mestrado em Teoria da Literatura. Edita o Blog da Dad.