Aurora boreal

José Horta Manzano

Outro dia, já estava encerrando o expediente quando dei de cara com essa belíssima foto de uma aurora boreal. Como sabem meus cultos leitores, a chamada aurora boreal é um fenômeno elétrico somente visível nas cercanias dos polos.

Eu disse doS poloS, isto é, elas tanto ocorrem perto do Polo Norte quanto do Polo Sul. Por ser a Antártida um continente habitado somente por cientistas, onde nenhum passa mais que uma temporada limitada, é raro ver fotos desse fenômeno tiradas por lá. Cientistas não costumam viajar àquelas lonjuras a turismo.

Já que o fenômeno ocorre tanto no hemisfério norte (boreal) quanto no hemisfério sul (austral), por que é que sempre nos referimos a ‘aurora boreal’? Acredito que o melhor nome seria ‘aurora polar’. Serviria para os dois casos.

Mas o problema hoje é outro. Releia o título da matéria. Algo não lhe parece fora de lugar? É claro! O verbo está mal conjugado.

Dispor é filhote de pôr. Segue o modelo do pai da família em todos os tempos. Assim:

Ele põe   – ele dispõe
Ele pôs   – ele dispôs
Ele punha – ele dispunha
Ele puser – ele dispuser

Portanto, ganha estadia grátis na Islândia quem se dispuser a fotografar uma aurora boreal. Ou polar, tanto faz. A notícia contém mais uma impropriedade. Em princípio, a palavra estadia é reservada para navio no porto e carro no estacionamento. Para pernoite num hotel, estada fica bem melhor. Vamos corrigir de vez?

Ganha estada grátis na Islândia quem se dispuser a fotografar uma aurora boreal.

Se ele pôr

José Horta Manzano

Tenho dificuldade em entender a razão pela qual um cidadão é obrigado a dizer a verdade sob risco de ser preso, enquanto um outro é eximido dessa responsabilidade, podendo ficar em silêncio ou até contar mentiras.

Não entendo tampouco por que razão a CPI mantém o convite a pessoas que gozam do privilégio de poder mentir sem sofrer sanções. Que valor tem um depoimento em que o arguído pode até estar mentindo?

Por último – mas não menos importante –, a conjugação dos compostos do verbo pôr é complicada. Isso acontece porque muitos falantes (e escreventes) se esquecem de detalhe importante: todos os verbos derivados se conjugam exatamente como o pai da família.

Os tempos mais comuns não apresentam dificuldade. Ela surge na hora de utilizar o futuro do subjuntivo.

      • Pôr    =  se ele puser
      • Dispor =  se ele dispuser
      • Compor =  se ele compuser
      • Repor  =  se ele repuser

e, naturalmente:

      • Depor  = se ele depuser.

Consertando a linha fina da chamada: Se depuser, ex-governador poderá ficar em silêncio e não precisará assumir compromisso de falar a verdade.

(Dizer a verdade ficaria melhor. Mas não vamos pedir demais.)