Tiroteio

credit: Markku Uländer via Reuters

José Horta Manzano

Para nós, ouvir falar de disparos de arma de fogo dentro de uma escola finlandesa parece notícia falsa (em bom português: fake news). Para um finlandês, é ainda mais perturbador. De memória, não me lembro de ter nunca ouvido falar de ocorrência desse tipo num país que é considerado o mais feliz do mundo.

Pois foi o que aconteceu alguns dias atrás num colégio da capital, Helsique. Professores e alunos, ninguém está preparando para um acontecimento desse calibre. Foi chamada uma força de intervenção. A foto acima mostra a chegda de alguns dos policiais, armados até os dentes.

Vosmicê vai reparar que, dos quatro figurantes, um destoa do resto do batalhão. O rapaz calça tênis e veste uma calça jeans (que, na minha juventude, levava o jurássico nome de ‘calça rancheira’). Onde é que já se viu integrante de força de intervenção tática carregando metralhadora e… calçando tênis?

Talvez o homem estivesse de folga e foi sacudido na cama? Ué, mas nesse caso teria vestido o uniforme e não essa roupa de passear no parque.

Talvez o uniforme estivesse no tintureiro, quando ele foi chamado às pessas? Ora, nesse caso, um outro policial teria sido convocado no lugar desse.

Talvez a polícia esteja com falta de pessoal e, na urgência, tenha chamado esse cidadão na rua: “Ei, você aí, que é alto e fortão, precisamos de você! Venha já aqui, é a pátria chamando!”

Não saberemos nunca o que aconteceu. Mas que é engraçado, é.

Repare também que, na Finlândia, prédios residenciais não têm guarita nem porteiro. E janelas do andar térreo não têm grades. As bicicletas se estacionam na rua, em frente de casa. É um outro mundo.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.