Vamos abraçar a Fifa!

José Horta Manzano

Dilma Blatter«Joseph Blatter garante que não existe corrupção no futebol» – foi o título de artigo do Estadão de alguns dias atrás. A crer que a quase-lógica de nosso guia anda fazendo escola por aí. O medalhão da Fifa explica que a instituição não é corrupta, mas sim os indivíduos que a compõem. Ah, bom.

O pronunciamento não deixa de lembrar o que têm repetido figurões de nossa República quando falam da roubalheira na Petrobrás. Dizem que a petroleira não é corrupta; se rapina houve, foi obra de diretores e funcionários.

Fifa 1Mas é uma evidência, cáspite! Estamos brincando com palavras. Uma empresa – entidade jurídica – é desprovida de alma e de sentimento. São os funcionários que, agindo em nome da entidade, assumem atitude honesta ou desonesta, ética ou aética, honrosa ou pérfida, sábia ou desastrosa.

Crédito: Kopelnitsky, EUA

Crédito: Kopelnitsky, EUA

Tanto mais hipócritas soam as palavras de Herr Blatter quando se sabe – como sabemos todos – que a roubalheira não se restringe à Fifa, mas se espalha por todo o tecido do futebol: jogos de resultado combinado, transferência de jogadores com pagamento ‘por fora’, evasão fiscal por parte de todos os que têm possibilidade de fazê-lo.

Para seguir a receita de nosso guia até o fim, faltou Blatter convocar manifestação popular para «abraçar a Fifa». O problema é que a sede da entidade está em Zurique, na Suíça, país onde não é fácil reunir algumas dezenas de manifestantes contra um sanduíche e uma tubaína. Eis por que não se animou.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.