Rapidinha 6

José Horta Manzano

Cumprindo a parte que lhe toca no acordo, equipes da Opaq , a Organização para a Proibição de Armas Químicas, começam seu trabalho de de neutralização do armamento químico estocado pelas forças sírias.

No fundo, esse final feliz ― se é que se pode atribuir esse adjetivo ao apaziguamento de um conflito que já fez dezenas de milhares de mortos e centenas de milhares de refugiados ― enfim, esse final menos infeliz aquieta todos sem satisfazer a ninguém.

Os cristãos, os alauítas e outras etnias minoritárias, que se encontravam bem sob o regime, passam a sobreviver terrorizados por membros de outras etnias e, principalmente, por ideólogos e mercenários vindos do estrangeiro. Outros grupos, que viviam oprimidos pelo regime, têm de continuar a sentir o peso da bota dos mandachuvas.

Tambor de armazenamento

Tambor de armazenamento

Os Estados Unidos, sem perder totalmente a face, não saíram glorificados do episódio. Tiveram de refrear seu ímpeto belicoso e procurar outro freguês. A Rússia foi quem mais ganhou. Firmou a imagem de sua diplomacia, provou que tinha razão desde o início. Mas ― nada é perfeito ― terá de se conformar com a ingerência de técnicos da Opaq esquadrinhando o território do aliado sírio.

Fica no ar uma pergunta. Como é que os técnicos terão certeza de haver destruído todo o arsenal químico? Tanques de guerra e aviões são difíceis de esconder ― qualquer satelitezinho mambembe consegue enxergá-los. Mas… tambores ou caixotes de produtos químicos? Dá pra esconder uma boa quantidade em qualquer puxadinho.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.