Eu também vou nessa!

José Horta Manzano

Herança maldita

É o que se depreende dos mais recentes «vazamentos» da turma do lulopetismo. Dois dias atrás, a notícia veio tímida, velada, à boca pequena, envergonhada. Já ontem, desavergonhou-se.

Senhor Okamoto (amigão do Lula) e senhor Jacques Wagner (ministro de dona Dilma) deram as mãos para declarar em uníssono: “Queremos nos aconselhar com FHC!” Salientaram o fato de diálogo entre presidente em exercício e antecessores ser normal.

Não precisava. Estamos acostumados à prática. Confabulações entre dona Dilma e o Lula são constantes. Qualquer motivo tem servido pra um deles pular num jatinho amigo e correr se aconselhar com o outro. Tanto ela vai a São Bernardo como ele voa a Brasília, tanto faz. Acontece a toda hora.

Novidade mesmo é ver os companheiros, acuados e com água pela cintura, pedir ajuda a FHC. O «nós» que, derrotado, pede arreglo ao «eles»! Nunca se viu nada parecido na história dessepaiz.

Chamada da Folha de SP, 24 jul° 2015

Chamada da Folha de SP, 24 jul° 2015

Ao se dar conta do que acontecia, dona Dilma reservou seu bilhete na aventura. Eu também vou nessa!

Para conversar, não há necessidade de anunciar pela imprensa. De toda maneira, simpatia e prestígio não se costumam transferir. Se a turma do «nós» tem a intenção de surrupiar um pouco da credibilidade do «eles», estão perdendo tempo. O poço em que se meteram é tão profundo que todos os ex-presidentes reunidos – vivos e falecidos – não teriam força pra puxá-los de volta.