O ladrão e o larápio

José Horta Manzano

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Orgulhoso de estar dando um furo de reportagem, o autor da façanha não se deu conta da contradição e mandou para publicação. O estagiário não pensou duas vezes: paginou a manchete conforme as instruções recebidas. Ficou esquisito.

Primeiro, a notícia aponta dedo acusador a youtubeiros (=youtubers) que conseguem obter informações privilegiadas do Planalto. Em seguida, não mais que uma linha abaixo, conta que o Estadão teve acesso a mais de mil páginas de um inquérito sigiloso que corre no STF.

Ora, se a acusação é contra cidadãos que receberam informação privilegiada vinda do topo do Executivo, não fica bem ter-se inteirado do ilícito por meio de informação privilegiada vinda do topo do Judiciário.

Taí exemplo uivante do roto falando do rasgado. Ou do ladrão falando do larápio.