Em artigo publicado no Estadão deste 7 de setembro, o analista William Waack destaca que vivemos numa “sociedade desordeira, sem grande apego a valores de comunidade, carente de lideranças abrangentes e profundamente desconfiada dos sistemas político e de governo”.
Não há como discordar.
- Ignorando que o cimento que mantém a sociedade unida são as normas que valem para todos, os brasileiros formam uma sociedade avessa a regras e regulamentos.
- As tensões provocadas pela impermeabilidade entre os diferentes estratos sociais são sentidas no dia a dia. A ausência difusa do sentimento de pertencer a uma comunidade impede a adesão do cidadão a valores comuns.
A mistura desses ingredientes produz uma sociedade bloqueada, que se compraz em carregar seu pecado original sem jamais tentar se lavar dele.
Nessas condições, toda veleidade de conserto vai esbarrar na apatia geral da nação. Complacentes, continuamos eletrizados pela trama da novela da noite – talvez o único fato que recebe apoio geral da população. E o resto não avança.
Quadro desanimador, não é? Impróprio para um Sete de Setembro. Gostaria de trazer alguma notícia alvissareira, mas não encontro.
Nossa data maior resume-se hoje a uma partida de pingue-pingue surreal. Uma vez, é o capitão avacalhando a festa ao conclamar seus discípulos à derrubada do regime. Outra vez, é Luiz Inácio, todo sorrisos, soltando palavreado manso e sem energia, num discurso pronunciado de véspera.
Se encontrar ânimo, volto outra hora pra dar explicações sobre meu artigo de ontem (Ministros do Supremo), que acredito não ter sido compreendido por todos.
Por enquanto, bom feriado aos distintos leitores e às encantadoras leitoras!
