Blitzkrieg

José Horta Manzano

É uma bênção poder observar o desenrolar desta nova guerra de Trump do conforto de casa, sem silvo de mísseis por perto. Pelas contagens feitas por quem entende do assunto, esta é a sétima guerra que Donald Trump desencadeia neste seu segundo mandato. Isso dá uma média de uma nova guerra a cada dois meses – uma façanha!

Pelo ranger da carroça e pelo pipocar das bombas, vou me convencendo, pouco a pouco, que o panorama do Irã, depois destes quatro ou cinco dias de bombardeio, não é bem o que Trump esperava. Faltaram, ao presidente americano, astúcia e conhecimentos históricos. Ele é ousado, é verdade, mas não suficientemente astuto. Uso aqui o termo astuto como equivalente a sabido, esperto, sagaz, arguto.

Trump é daqueles que já entram batendo, para só depois procurar se informar do que estava acontecendo. Ao final, descobrem que já distribuíram sopapos a muitos espectadores que não tinham nada a ver com a briga. Entre os que apanharam, está justamente a vítima, aquele que estava sendo agredido.

Trump espezinhou o ucraniano Zelenski, quando este visitou o Salão Oval da Casa Branca. Reservou seus afagos para Putin, que só lhe pagou com traição e desprezo, como numa letra de bolero. O americano jogou flores para o agressor e cuspiu em cima do agredido. Alheamento à realidade ou má-fé?

Em 2022, o csar de Moscou achava que em três dias teria dominado a Ucrânia. Supunha que suas impressionantes colunas de tanques lançados contra o país e apoiados pelos caças seriam amplamente suficientes para decapitar o governo e permitir a instalação de uma presidência fantoche. Não contava com a resistência dos valentes ucranianos. O resultado é que sua “operação especial” durou bem mais do que o esperado. Acaba de entrar no 5° ano, sem perspectiva de sair do atoleiro.

Nesta nova guerra, Trump parece ter incorrido no mesmo erro de Vladimir Putin. Reproduzindo o erro do russo, Donald Trump calculou que a eliminação do aiatolá e dos principais chefes militares fosse colapsar o Irã e provocar total desorganização do país, fazendo com que todos corressem feito baratas tontas, cada um abandonando armas e bagagens pra salvar a própria pele.

Porém, a versão trumpiana da Blitzkrieg imaginada e executada pelos generais de Hitler – uma guerra-relâmpago – não foi eficaz. O Irã não colapsou, nem se desorganizou, pelo menos até agora. Antes, tem mostrado possuir grande estoque de mísseis e drones, todos de pontaria e desempenho superior ao dos de um ano atrás. E, longe de entregar os pontos, continua atirando e revidando contra Israel e dezenas de alvos americanos da região.

Em tuíte destes dias, Trump se mostra inquieto com a rápida diminuição dos estoques americanos de mísseis e de defesa anti-míssil. E, pasme!, atribui a baixa nas reservas ao “sonolento presidente Biden”. Aqui entra o que eu disse alguns parágrafos atrás: Trump é ousado, mas não é astuto. É ousado de dar essa declaração típica de quem não tem vergonha na cara. Mas faltou a astúcia básica de consultar o almoxarifado para verificar os estoques de armas antes de dar início à guerra. Se vê que sonolento não é bem Mr. Biden…

Agora, que as hostilidades parecem querer durar mais algum tempo, Trump periga entrar em período de turbulência. Para quem jurava, quando candidato, que não se meteria em novas guerras, ele entra numa saia justíssima. Que certamente vai piorar se corpos de militares americanos começarem a ser repatriados. Nos EUA, este é um ano eleitoral.

Boa sorte, Mr.Trump!

Um pensamento sobre “Blitzkrieg

  1. Fora a arrogância e prepotência de Trump a indústria de armas exige cada vez mais a produção de novos estoques . Por outro lado os aiatolás pregam a destruição de Israel. Assim o homem sapiens vai vivendo.

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