Recordar é viver

Elio Gaspari (*)

Os ministros do Supremo Tribunal Federal que tiveram seus vistos cassados talvez não lembrem, mas estão em ilustre companhia.

Em 1971, sabe-se lá por quais meios, o Dops paulista registrava que um perigoso subversivo “desenvolve grande atividade a fim de visitar os Estados Unidos. Contudo, não lhe será concedido o visto de entrada.”

Em 1977, durante o governo de Jimmy Carter, um jovem assessor do presidente pediu que o nome do subversivo fosse retirado da lista de indesejáveis nos Estados Unidos. Foi atendido e pouco depois, Robert Pastor acompanhou Fernando Henrique Cardoso numa visita à Casa Branca. Pastor tinha tamanha intimidade com Carter que levava visitantes ao Salão Oval (vazio).

Em 1995, com visto e passaporte diplomático, o subversivo desceu em Nova York e ouviu queixas porque o governo do Brasil havia sobretaxado em 70% as importações de automóveis americanos.

Tempos mudam, lá e cá.

(*) Elio Gaspari é jornalista. O texto é trecho de artigo publicado n’O Globo.

3 pensamentos sobre “Recordar é viver

  1. Falando de taxas o nosso comunista da caatinga Lula influenciado pelo comunista de Copacabana Celso Amorim, ofendeu tanto o Trump , os USA, vociferando a troca do dólar por outra moeda, adulando Irã, China, Rússia e outras ditaduras que conseguiu 50% de taxas.

    Curtir

  2. Vistos especiais, passaportes diplomáticos, enfim, sou contra toda forma de privilégios. Como disse uma conhecida escritora africana, ao passar por rigorosos processos na alfândega francesa, certamente por causa de seu passaporte de país africano, os seres humanos não deveriam ser classificados por causa de seu país de origem.

    No mais, lembro de um tempo em que os ministros da corte eram juristas de grande sabedoria. Nunca os víamos na mídia, eram extremamente discretos. Depois que os políticos brasileiros se transformaram em megalomaníacos corruptos e os processos criminais foram parar naquela corta, por causa do infame “foro privilegiado” (mais um privilégio), os ministros sumiram ao palco e já há algum tempo estão sob as luzes da ribalta. No meu tempo, onde a corrupção era menor (ou ficava escondida) nós só viamos o presidente do stf falar, Ayres Britto, e isso era raridade. Outro que aparecia era o Francisco Rezek. Não sabíamos os nomes dos demais.

    Já faz um tempo onde os presidentes da República não escolhem os juízes através da lista tríplice de nomes indicados pelo colegiado, mas a escolha é feita por aproximação, sendo muitos ali advogados destes presidentes da República ou seus amigos próximos, é uma aberração.

    Que Trump continue firme. Não sou fã, nem dele e nem de qualquer político.

    Curtido por 1 pessoa

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.