Preocupação e confiança

José Horta Manzano

Expressões antigas vão desaparecendo, deixando de ser usadas pelos falantes e sendo substituídas por outras. É assim que a coisa funciona e evolui, não há como estancar a roda-viva. Imaginem se a gente ainda falasse como Pedro Álvares Cabral… (Pra dizer a verdade, não se sabe exatamente como ele falava, mas devia ser bem diferente de nós.)

Uma expressão bastante poética que frequentava o dia a dia dos antigos e que faz tempo que não ouço nem leio é estado d’alma. Em geral, costuma ser hoje substituída por clima. O recorte que ilustra este post traz bom exemplo de possível uso da antiga expressão.

Celso Amorim, nosso encantador ministro das sombras do ramo Política Externa, diz que as eleições venezuelanas nos suscitam “preocupação e confiança”. Pois eu digo que a preocupação e a confiança são dois estados d’alma antagônicos. De fato, se as eleições no país vizinho nos trazem preocupação, é porque não temos confiança. Ao contrário, se elas nos deixam confiantes, é porque já não temos preocupação.

Se ele mencionou esses dois estados d’alma – e ainda botou a preocupação em primeiro lugar –, é porque o sentimento que predomina no Planalto é de preocupação. Por certo.

2 pensamentos sobre “Preocupação e confiança

  1. Celso Amorin é mais um comunistinha de araque. Puxa o saco do Lula para viver pendurado nas verbas governamentais, morando em Copacabana e frequentando com a família os melhores restaurantes do mundo.

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    • Eu também tenho essa impressão. O rapaz já completou 82 anos, já passou faz tempo da idade de se aposentar.

      Desconfio de uma coisa. Como ministro, ele receberia um ordenado regulamentado, semelhante ao dos colegas. Já como “assessor especial”, tem direito a boca-livre. Lula pode dar a ele quanto quiser. E ninguém tem como reclamar.

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