José Horta Manzano
Faz mais de ano que jornalistas, analistas e comentaristas vêm falando em “tentativa de golpe” quando se referem à sequência de acontecimentos preparados durante o governo do capitão e que culminaram no 8 de janeiro.
Tenho um reparo a fazer. Pelo que as investigações têm deixado cada dia mais claro, estão errados os que falam em “tentativa de golpe”. Não era uma tentativa, mas um golpe de verdade! O chato (para os arquitetos da manobra) é que não deu certo, o navio fez água e a vaca foi direto pro brejo.
Melhor então falar em “golpe fracassado”. Quem preferir, pode usar outro termo: golpe malogrado, abortado, frustrado, falhado. Acho que “gorado” cai como luva. Na verdade, chocaram o ovo sem perceberem que ele não estava fecundado. Resultado: gorou.
Tentativa é que não foi. Naqueles tempos obscurantistas, todos os atores estavam convencidos de estar trabalhando para um golpe com G de general, grandioso, glorioso e ganhador. Na cabeça daquela gente desmiolada, o futuro estava garantido.
Vamos de “golpe gorado” mesmo.

Tem razão. Fiquei pensando se as expressões “tentativa de golpe” e “golpe tentado” são sinônimos ou não. Pra mim, não são. Quando “golpe” vem na frente, a impressão é a de que ele aconteceu, teve início ou, ao menos, fez-se alguma manobra que levasse a cabo algum projeto nesse sentido.
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É verdade. Ainda que, no frigir dos ovos, ‘tentativa de golpe’ e ‘golpe tentado’ sejam a mesma coisa, a impressão que fica no leitor não é parelha. Quando o ‘golpe’ vem na frente, o impacto é bem mais forte.
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