José Horta Manzano
Ouvi, estes dias, que mais da metade das crianças que nascem hoje exercerão, quando adultas, profissão que ainda não existe atualmente. Dito assim, é impressionante. Mas, a bem refletir, a afirmação tem sua lógica. O mundo sempre funcionou assim, só que anda cada dia mais acelerado.
Grande parte dos profissionais exímios no manejo de Word e Excel nasceram antes de o computador pessoal ter sido inventado. Todos os aviadores da Primeira Guerra – todos mesmo – vieram ao mundo antes da invenção do avião. Quando os astronautas que um dia caminhariam na Lua já estavam sendo alfabetizados, foguetes interplanetários ainda não passavam de ficção científica.
Profissões nascem, profissões morrem, essa é a lei. Boa parte dos ganha-pães que conhecemos terá desaparecido daqui a algum tempo. Profissões há que já estão em vias de extinção. Outras vão durar ainda um pouco mas acabarão por desaparecer.
Ofícios ligados à saúde tem garantia de perenidade. Por mais que avance a ciência, prevê-se que a imortalidade ainda demore a ser alcançada. Enquanto não vem, todos vamos continuar precisando de cuidados médicos.
Em compensação, num mundo em que o uso do papel tem rareado, papelarias atravessam um momento complicado. Agências de viagem tradicionais também andam à mingua.
Todos nós já ouvimos falar de ofícios desaparecidos: acendedor de lampião de gás, vendedor de leite de cabra tirado na hora, cocheiro. Muitas das profissões atuais certamente terão sumido daqui a vinte anos. Quais serão? Quem viver verá.
Nos dias de hoje sou considerado um “signmaker”, mas lá em meus tempos de guri, sonhava em ser um simples letrista e cartazista (fazedor de placas, faixas, letreiros em geral)… para isso iniciei meu treinamento autodidata na década de setenta do século passado… quando estava quase satisfeito com minhas pinceladas, eis que surge a informática, era a pedra no meio do meu caminho, senti-me enganado, ludibriado… tanto esforço em aprender e agora ser passado para trás pela tecnologia. Choramingar não adianta, fui à luta e comecei a usufruir a tecnologia. Continuo na mesma trilha e com os mesmos talentos a impulsionar-me pela fica a fora, coma diferença de estar equipado com ferramentas multiplicaram “n” vezes a minha capacidade produtiva… tanto que me dou o luxo de trabalhar sozinho (adoro isso) e juntos com minhas máquinas obter o sustento da família…. não há como negar a evolução…. assim caminha a humanidade!
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A boa vontade para se adaptar é importante, caro Gil. No começo, é duro. Como você diz, a gente tem a impressão de ter sido ludibriado, de ter jogado fora anos de estudo e de prática. Mas a adaptação acaba rendendo frutos. Seu caso é prova disso. Parabéns.
Abraço.
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