José Horta Manzano
“Hoje, a Odebrecht está inteiramente transformada. Usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente”.
Essa é a frase padrão com que a construtora responde a todo questionamento relativo aos ‘malfeitos’ do passado. A sentença é pau pra toda obra. Já faz algum tempo que vem aparecendo nos comunicados oficiais da empresa. Recentemente, apareceu de novo por ocasião da enésima prisão do casal Garotinho, acusado de ‘ligações perigosas’ com a empreiteira. Assim que veio à tona o relacionamento entre o casal e a empresa, lá veio a frase estampada na mídia.
Se a construtora está de fato ‘inteiramente transformada’, não sei. O que sei é que, ao usar a palavra conformidade, dá importante passo em direção ao… não conformismo.
Faça como a Odebrecht. Dispense o pernóstico “compliance” e adote a simpática “conformidade”. É gente de casa. Diz exatamente a mesma coisa sem agitar bandeira de colonização cultural.
Pouco tempo atrás, ninguém imaginaria que a Odebrecht, com sábios ensinamentos, ainda havia de iluminar a nação. Quem havera de dizer…
