Caminhão elétrico

José Horta Manzano

Você sabia?

Para preparar este artigo, tive de mergulhar no mundo do transporte por caminhão. Mergulhar não é o melhor termo; só molhei a pontinha do pé. É que eu precisava conhecer o nome em português de um determinado tipo de caminhão conhecido aqui como semi-remorque.

Para leigos, caminhão é caminhão, tudo a mesma coisa. Mas não é assim tão simples. Aprendi que o mundo dos caminhões se subdivide em dois grandes ramos: o caminhão propriamente dito e a carreta. O caminhão é um veículo fixo, feito de um bloco só. Já a carreta é articulada, com o cavalo mecânico na frente e o semirreboque atrás.

Talvez o distinto leitor já soubesse dessas minúcias. Quanto a mim, acabo de aprender.

Nota
Muitos escrevem semi-reboque, que leva jeito de ser mais correto. No entanto, a ortografia oficial manda grudar tudo e, ainda por cima, acrescentar um R no meio: semirreboque. Fica esquisito, mas é assim. É como semirreta, semirrei, semirrígido, semirrústico, semirrisonho. Um espanto.

A Suíça acaba de fabricar o maior caminhão do mundo movido a eletricidade. Na verdade, é uma carreta, um veículo articulado, com cabine + plataforma (ver imagem). O cavalo mecânico (cabine) tem dois eixos e o semirreboque tem mais três. O mastodonte é capaz de levar até 40 toneladas de carga. Vazio, tem autonomia de 900 km; carregado, roda até 500 km sem recarregar as baterias de lítio.

Esse primeiro modelo saiu em dois exemplares, que tiveram até direito a uma cerimônia especial realizada no Museu dos Transportes de Lucerna. A parte mecânica, qualquer um sabe construir. O grande feito tecnológico está nas quatro baterias de lítio de mais de uma tonelada cada uma. O veículo roda em silêncio quase total. Quando ele passa, ouve-se um leve zumbido, semelhante ao de um patinete elétrico.

A proeza, inimaginável até um ano atrás, se insere na onda mundial da transição energética. A queima de combustíveis fósseis vai sendo rapidamente abandonada em prol de outros meios, renováveis e sustentáveis. As crianças que nascerem daqui a 20 anos, se quiserem conhecer um veículo de motor a explosão, terão de ir ao museu.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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