O próximo presidente

José Horta Manzano


Pra ser muito sincero, não acredito que doutor Sergio Moro venha a ser o próximo presidente do Brasil.


Isso não significa que este blogueiro tenha uma quedinha por Bolsonaro ou pelo Lula. Meus fiéis leitores sabem que a verdade não é bem essa. Acredito – e principalmente espero! – que o próximo chefe de nosso Executivo não venha a ser nenhum dos três: nem Moro, nem Bolsonaro, nem o Lula.

Eliminados os três, me parece que aumentam as chances de termos um próximo presidente razoável. Nem peço nem que seja excelente; razoável já estaria de bom tamanho.

Bolsonaro dispensa apresentações: é esse estropício que está aí. Ele não deixa passar um dia sem nos lembrar quem é, de onde veio, quem são seus acumpliciados, como age, quais são suas intenções, de que estofo é feito. O homem é transparente, cristalino. Não só parece mau, é mau. Não só parece primitivo, é primitivo. Não só parece rasteiro, é rasteiro. Não só parece falto de inteligência, é falto de inteligência.

O Lula, bom, desse então, nem precisa falar. Mas não custa lembrar, que há sempre gente desmemoriada. Além de “aparelhar” toda a administração do Estado brasileiro com seus cupinchas, permitiu (chefiou?) a instalação da maior corrupção sistêmica já vista num Estado que se imagina democrático. Se sofremos hoje o castigo de ter um Bolsonaro segurando as rédeas do país, agradeça-se ao Lula. Sem a roubalheira, os excessos e os escândalos do primeiro, não haveria o segundo.

De Sergio Moro, não se conhece muito. Mas o que se sabe já é suficiente para colar-lhe algumas etiquetas. Sabe-se que é obstinado e que não hesita em lançar mão de procedimentos “quase legais” a fim de alcançar seus propósitos. Sabe-se que apoiou o capitão e que seu ardor pelo personagem foi tão grande, que o fez abandonar a magistratura para seguir o chefe. Sabe-se que, no espectro político, suas posições estão à direita da direita. Exagerando um pouco, eu diria que Moro é um Bolsonaro que não fala palavrão.

Acho muito difícil Sergio Moro chegar ao segundo turno. Se, por surpresa, chegasse lá, suas chances de vencer não seriam enormes.

Se Moro tiver de enfrentar o Lula, vai pular um cortado. Por um lado, Lula conta com um capital de eleitores cativos; por outro, duvido que os devotos do capitão, desamparados, deem uma mão a Moro, votando naquele que eles consideram “traidor” da causa. Nesta configuração, nosso guia conserva todas as suas chances.

Se Moro tiver de enfrentar o Bolsonaro, vai ser pior ainda. Alguém imagina um simpatizante do Lula votar naquele que, quando juiz, mandou o demiurgo para a cadeia? Portanto, subtraindo os votos do eleitorado simpático ao Lula e os votos dos que desconfiam de Moro, não há de sobrar grande coisa para o ex-magistrado. Nesta configuração, quem conserva todas as chances é o capitão.

Vamos torcer para sobressair logo um nome que encarne uma verdadeira terceira via. Essa que o ex-juiz representa está mais pra beco sem saída. Sem calçamento e sem iluminação.

4 pensamentos sobre “O próximo presidente

  1. Com parcimônia e humildade, tenho algumas considerações a externar:
    (1) Faz-se necessário contextualizar esse difícil conceito de “primitivo”. Aqui, creio eu, é usado para referenciar algo “tosco” ou “rudimentar”. O conceito de primitivo, quando relacionado a algum longínquo antepassado, tornou-se obsoleto, incorreto.

    (2) Ainda existe uma corrente que percebe os governos do Partido dos Trabalhadores como o apogeu do desenvolvimento econômico e social do Brasil em período recente. Nas universidades e nos bolsões de miséria país afora esse conceito é bastante forte. O PT é visto como o partido que mais investiu em educação (especialmente na educação do ensino superior e de pesquisa). Milhares de pessoas, inclusive, refutam veementemente que os agentes do partido tenham furtado algo, não obstante os rios de dinheiro devolvidos por esses agentes do PT. Dê poder ao homem e verás quem ele é. Todos eles agem de forma idêntica. Até aquele que foi visto como um presidente exemplar, o mais letrado e culto dentre os presidentes deste período de redemocratização, FHC, recebeu ilegalmente milhões de reais de empresas privadas, durante seu governo. Interessante esse áudio de uma ex-esposa do Aécio Neves relatando esses segredos. https://www.youtube.com/watch?v=-W1iukaUcFc

    (3) Sérgio Moro, talvez, represente a opção menos nefasta, diante das possibilidades que são vistas no momento. Não vejo Moro como um desesperado apoiador de Bolsonaro, quando aceitou ser ministro, apenas acreditou num projeto que era 100% uma farsa. Não apenas Moro foi enganado, como milhões de eleitores. Ao deixar o governo, ele explicitou o não alinhamento com os planos odiosos de Bolsonaro, em especial, a mobilização criminosa do presidente em encobertar os ilícitos de Flavio, quando desmantelou o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que rastreia as movimentações bancárias dos brasileiros. Começou também Bolsonaro a pedir informações sigilosas da Polícia Federal ao então Ministro da Justiça. Em relação a essa velha raposa que tenta levantar-se das cinzas (Luis Inácio), Moro ainda é uma viável opção. Marina Silva, como sempre, somente aparecerá quando bem entender. Ciro Gomes representa o que há de menos interessante; um oligarca cuja família controla meio mundo dentro do Ceará, há décadas, igualando-se aos Jereissatis, aos Sarneys, aos Magalhães e aos Barbalhos. O que restará? Dória? Alckmin? Amoedo?

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    • Toni,

      Exato. Dos três candidatos que hoje parecem evidentes (Lula, Bolsonaro e Moro), este último é o menos nefasto. Aceitar o cargo de ministro não foi seu erro maior. A bobagem que fez (e que foi, ao mesmo tempo, sua profissão de fé) foi ter lá permanecido além do razoável.

      A partir do momento, logo no comecinho, em que se deu conta de que a “carta branca” que lhe havia sido prometida era balela, tinha de ter saído, pisando duro e sem olhar pra trás. Tivesse feito isso, teria subido no conceito de todos, e seria senador pelo PR no ano que vem sem nenhum problema.

      Eu usei a expressão “um Bolsonaro que não fala palavrão”. Li hoje outro analista que falou de “um Bolsonaro que sabe usar garfo e faca”. São variações em torno do mesmo tema. Evitei dizer que os dois “são farinha do mesmo saco” porque acho a expressão muito batida e pouco esclarecedora.

      Acredito que Moro seja um Bolsonaro mais perigoso. O capitão não é dono das próprias ideias, que lhe são sopradas por ideólogos e por gurus. Suas ações são desconexas. É estabanado e de pouca inteligência. Já Moro joga em outro time. É senhor das próprias ideias, suas ações não são estapafúrdias e, muito importante, tem boa inteligência.

      Mas acredito que (felizmente) não tenha chance. Quem sabe ainda dá pra emplacar uma cadeira no Senado ou, no limite, na Câmara.

      Daqui até outubro do ano que vem, ainda tem chão. Um ano antes das últimas eleições, ninguém teria apostado no Bolsonaro. Vamos ser otimistas.

      Abraço.

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